CONTROLE DO ORÇAMENTO
STF promove debate sobre controle e transparência de emendas parlamentares
O ministro Flávio Dino lidera audiência pública para avaliar se congressistas devem responder como ordenadores de despesa na gestão de recursos públicos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) discute o aprimoramento da transparência e da responsabilidade na aplicação de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares impositivas. A audiência pública, realizada nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, atende à necessidade de aprofundar critérios de fiscalização e controle sobre como o dinheiro da União chega à ponta para atender demandas sociais, garantindo que a gestão desses valores siga rigorosos padrões éticos e jurídicos.
O debate ocorre no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7995, sob relatoria do ministro Flávio Dino. O magistrado busca avaliar a possibilidade de equiparar parlamentares a “ordenadores de despesas”, medida que implicaria o dever de prestar contas de forma direta aos órgãos fiscalizadores. A proposta, motivada por apontamentos da Rede Sustentabilidade, visa sanar lacunas na rastreabilidade das verbas.
Durante a sessão, Flávio Dino enfatizou que a análise não segue a lógica do “tudo ou nada”, defendendo um modelo equilibrado que considere os profundos impactos sociais e institucionais das verbas públicas. Para o relator, a clareza nas regras é essencial para evitar o mau uso do orçamento e assegurar que a população seja beneficiada sem a opacidade que, historicamente, prejudica a confiança no processo político.
O ministro Alexandre de Moraes também reforçou que a publicidade e a eficiência são pressupostos inegociáveis para a saúde democrática e a aplicação correta de políticas públicas. A abertura dos trabalhos coube à juíza auxiliar Amanda Thomé, que mediou as exposições de integrantes do Congresso Nacional, da Controladoria-Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Transparência Internacional – Brasil.
Esta deve ser a última audiência pública sobre o tema antes da conclusão da instrução do processo. A expectativa é que, após a etapa de coleta de subsídios, a ação seja liberada para julgamento pelo Plenário ainda em 2026, possivelmente após o encerramento do período eleitoral.
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