DIREITO À EDUCAÇÃO
TJSP mantém matrícula de estudante na USP após contestação de cotas
Decisão do TJSP preserva vaga de aluno de Ciências Econômicas ao identificar extrapolação do prazo de autotutela da USP e validar critérios fenotípicos.
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a USP deve manter a matrícula de um estudante ingressante pelo sistema de cotas raciais, assegurando a continuidade de sua trajetória acadêmica. A decisão, que foi consolidada nesta terça-feira, 22/09/2026, reafirma o direito do aluno ao concluir que a instituição excedeu os limites temporais para revisar o ato administrativo de admissão, garantindo assim a segurança jurídica necessária para a vida acadêmica.
O litígio teve início em 2025, quando a USP instaurou um procedimento administrativo contra o aluno, matriculado no curso de Ciências Econômicas desde 2019, após o recebimento de uma denúncia anônima. A universidade invalidou a matrícula sob a alegação de irregularidades na autodeclaração, levando o estudante a buscar amparo judicial para salvaguardar sua permanência no ensino superior.
Em segunda instância, o relator Marco Antonio Martin Vargas destacou que o período entre a matrícula e a tentativa de invalidação pela USP ultrapassou seis anos, superando o prazo decadencial de cinco anos previsto para a autotutela administrativa. O magistrado ressaltou que a instituição não apresentou provas de má-fé por parte do acadêmico, cuja autodeclaração estava alinhada aos requisitos do edital, que exigia a comprovação de Ensino Médio em rede pública e a classificação racial.
Além da questão temporal, a decisão judicial incorporou uma análise fenotípica que identificou traços associados à população negra, validando a classificação do estudante como pardo. O relator pontuou que uma reversão tardia do processo de admissão configuraria uma afronta aos princípios da segurança jurídica e da vinculação ao instrumento convocatório, protegendo o discente de prejuízos irreversíveis à sua formação profissional.
A CNN Brasil buscou um posicionamento da USP sobre o caso, porém não obteve retorno até a publicação desta reportagem, realizada sob supervisão de Carolina Figueiredo. O espaço permanece aberto para manifestações futuras da instituição.
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