AJUSTE NO ORÇAMENTO
Receita Federal reduz meta de arrecadação com dividendos para R$ 10,5 bilhões
A frustração na receita com o IRPF força o governo a reavaliar as contas públicas para garantir o cumprimento das metas fiscais estabelecidas.
A Receita Federal revisou para R$ 10,5 bilhões a previsão de arrecadação com o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) sobre dividendos. A decisão, consolidada nesta terça-feira, 22/09/2026, reflete a dificuldade do governo em atingir a meta original, que era de R$ 28 bilhões, e impacta diretamente o planejamento de gastos do país.
A revisão é necessária diante da frustração com o desempenho do tributo, que somou apenas R$ 4 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. Esse valor representa apenas 14,3% da expectativa inicial. Como a tributação sobre dividendos foi desenhada para compensar a isenção de IRPF para quem ganha até R$ 5 mil e a redução da carga para rendas até R$ 7.350, o déficit de R$ 17,5 bilhões em relação ao plano original impõe desafios ao Orçamento.
Para o cidadão, a medida é um lembrete da complexidade da política tributária. A isenção para rendas menores foi uma promessa de alívio no bolso das famílias, mas a conta pública depende de um equilíbrio sensível. Sem a arrecadação projetada, o governo federal terá de buscar alternativas para compensar o montante, o que pode incluir novos ajustes ou cortes em despesas discricionárias para assegurar a saúde fiscal.
Apesar da arrecadação mensal apresentar tendência de alta, a trajetória é insuficiente para alcançar os níveis previstos anteriormente. A meta fiscal do país, fixada em um superávit de 0,25% do PIB — o equivalente a R$ 34,2 bilhões —, permanece no radar. O governo conta com a margem de tolerância da meta, que permite o equilíbrio das contas entre zero e um superávit de até R$ 68,4 bilhões.
Ainda não há definição sobre cortes específicos em pastas ministeriais, e a gestão fiscal segue sob monitoramento constante das equipes técnicas do governo federal.
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