DIREITO DO TRABALHO
MPT processa RedeMix por suspeita de assédio eleitoral na Bahia
Ministério Público do Trabalho solicita suspensão do uso de uniformes com numeral que coincide com candidatura à Presidência do Brasil
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação cautelar contra a rede de supermercados RedeMix, em virtude de suspeitas de assédio eleitoral envolvendo trabalhadores da empresa na Bahia. O órgão aponta que funcionários estariam sendo compelidos a utilizar uniformes estampados com o número 22, cifra que coincide com a identificação de um dos candidatos que concorrem ao segundo turno das eleições de 2026.
Segundo a procuradora do Trabalho Manuella Gedeon, o caso foi iniciado após o recebimento de denúncias sobre a obrigatoriedade do uso das vestimentas durante o expediente. O MPT sustenta que a prática pode constranger os colaboradores, interferindo na liberdade de escolha política e no exercício do direito ao voto. Previamente, o órgão havia emitido uma recomendação para que a rede interrompesse a ação, mas, conforme o Ministério, a utilização das peças persistiu, fato que teria sido confirmado em fiscalização conduzida por servidores da área de segurança institucional.
Na petição protocolada nesta sexta-feira (23), o MPT solicita uma decisão liminar para a suspensão imediata do uso das camisas e a substituição por vestimentas neutras até o encerramento do pleito. Entre os demais pedidos, consta a obrigatoriedade de a empresa emitir um comunicado interno garantindo a liberdade de orientação política dos empregados e assegurando tempo hábil para o comparecimento às urnas no dia da votação. O órgão requer ainda a fixação de multa diária de, no mínimo, R$ 50 mil em caso de descumprimento das determinações.
Em nota oficial, a RedeMiX negou as irregularidades. A empresa declarou que o número estampado refere-se exclusivamente à idade da rede e integra uma campanha institucional de aniversário, realizada anualmente entre os meses de setembro e novembro. A varejista informou que apresentou documentos ao MPT comprovando a realização de campanhas similares em anos anteriores. Além disso, a rede comunicou que não havia sido formalmente notificada sobre a ação judicial até o momento de sua manifestação.
A ação cautelar busca medidas imediatas para interromper o uso dos uniformes. O MPT informou que pretende apresentar, em momento posterior, uma ação civil pública para discutir o mérito da questão e pleitear eventual indenização por danos morais coletivos.
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Fonte / Créditos
Fonte: G1, "Rede de supermercados suspeita de assédio eleitoral na Bahia diz que número em fardas faz referência à idade da empresa", publicada em 23/10/2026.
https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/10/23/rede-de-supermercados-suspeita-de-assedio-eleitoral-se-posiciona.ghtml
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