MPF aciona UFPB para garantir integridade de cotas raciais em concurso
Lawletter

AÇÕES DE JUSTIÇA

MPF ajuíza ação contra UFPB para garantir integridade de cotas raciais

Medida busca anular admissões irregulares ou exigir compensação por meio de vagas extraordinárias em futuros certames da Universidade.

Por Redação Lawletter 24/09/2026 15:33
Edifício da instituição UFPB em dia ensolarado.
Fachada da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com o objetivo de restaurar a legalidade e a finalidade da política de reserva de vagas para pessoas negras no concurso público realizado pela instituição em 2015. A decisão, tornada pública em 24 de setembro de 2026, busca assegurar a equidade social em um processo que envolve a averiguação da condição racial de 13 servidores, cujas autodeclarações não foram confirmadas por comissões de heteroidentificação.

A iniciativa do órgão ministerial visa proteger a dignidade das políticas afirmativas e garantir que as vagas reservadas alcancem, de fato, o público-alvo da Lei nº 12.990/2014. O MPF requer, em caráter principal, a conclusão dos procedimentos administrativos individuais dos servidores afetados, assegurando o contraditório e a ampla defesa. Caso a irregularidade na ocupação da vaga seja ratificada pelo Poder Judiciário, o órgão pede a anulação da admissão e o desligamento do cargo.

Como pedido subsidiário, caso a Justiça entenda que a anulação das admissões é inviável, o MPF solicita que a UFPB crie 13 vagas extraordinárias destinadas a pessoas pretas e pardas em futuros concursos. Essas vagas seriam somadas à reserva ordinária prevista em lei, garantindo que o impacto da exclusão anterior seja devidamente compensado pela universidade.

O Caso remonta a um certame de 2015 para cargos técnico-administrativos, que gerou desdobramentos após a suspeita de falhas na transparência da lista de cotistas. Entre maio e junho de 2022, após tratativas com o Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e movimentos negros, avaliações presenciais apontaram que 13 servidores permaneciam sem a confirmação da condição racial. Apesar de tentativas anteriores de solução via TAC, o Poder Judiciário decidirá agora o desfecho do processo (ACP 0051931-93.2026.4.05.8200).

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000