Justiça condena médico que usava documentos falsos em SP
Lawletter

DIREITO PENAL

Justiça condena médico que exercia profissão com documentos falsos e causou morte em Tatuí

Bertino Rumarco da Costa utilizava identidade de terceiro para atuar como plantonista; penas foram convertidas em prestação de serviços e indenização aos herdeiros da vítima.

Por Redação Lawletter 19/10/2026 14:47
Fachada de prédio do Poder Judiciário
Créditos da foto: s2-g1.glbimg.com

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou Bertino Rumarco da Costa pelos crimes de uso de documento falso e homicídio culposo. A decisão, divulgada na sexta-feira (16), refere-se a fatos ocorridos em 2015, quando o réu, formado em medicina na Bolívia, exercia a profissão ilegalmente em Tatuí (SP) sem a devida validação do diploma no Brasil.

Segundo os autos, o réu utilizava identidades falsas, apresentando-se em nome de Naas Carvalho de Assis. Ele atuou como plantonista na Santa Casa de Tatuí entre dezembro de 2014 e junho de 2015. A condenação estabeleceu penas de dois anos de reclusão e um ano de detenção em regime semiaberto, vinculadas à morte de Naimar Conceição Machado, que faleceu após receber atendimento médico do réu durante um quadro de infarto.

A defesa de Bertino Rumarco da Costa recorreu ao TJSP, alegando a prescrição da pretensão punitiva em relação ao crime de uso de documento falso. O desembargador Amaro Thomé, relator do caso, rejeitou o argumento e manteve a condenação. Em sua fundamentação, o magistrado destacou que a utilização de cédula profissional de terceiro possuía potencialidade lesiva à fé pública, excedendo a esfera do simples exercício ilegal da medicina.

Ao finalizar o julgamento, o tribunal substituiu as penas privativas de liberdade por medidas restritivas de direitos, consistentes na limitação de atividades aos finais de semana, e determinou o pagamento de R$ 40 mil aos herdeiros da paciente. O descumprimento das medidas alternativas implicará o pagamento de indenização por danos morais no mesmo montante.

As investigações conduzidas à época apontaram que o réu integrava um grupo de falsos médicos vinculados ao Instituto Ciências da Vida (ICV). Após a descoberta das irregularidades, o profissional também foi afastado, em 2017, de um Pronto Atendimento em Itu (SP).

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Fonte / Créditos

Fonte: G1, "Justiça condena médico que usava documento falso para exercer profissão e causou morte de paciente em Tatuí", publicada em 19/10/2026.
https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/10/19/justica-condena-medico-que-usava-documento-falso-para-exercer-profissao-e-causou-morte-de-paciente-em-tatui.ghtml

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000