Gilmar Mendes acusa André Mendonça de interferência eleitoral no STF
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CRISE NO SUPREMO

Gilmar Mendes acusa André Mendonça de interferência eleitoral no STF

O decano Gilmar Mendes aponta viés político na relatoria do caso Master, enquanto o plenário debate investigação contra Alexandre de Moraes.

Por Redação Lawletter 15/09/2026 14:33
Foto do ministro Gilmar Mendes em plenário do Supremo Tribunal Federal.
Ministro Gilmar Mendes durante sessão do STF, em Brasília (DF).

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o ministro André Mendonça de utilizar a relatoria do caso Master para interferir no cenário da eleição presidencial, marcada para o dia 4 de outubro. A declaração foi feita nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, durante uma sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Durante a sessão, Gilmar Mendes classificou a conduta de André Mendonça como desprovida de imparcialidade. "Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido", afirmou o decano, dirigindo-se a Edson Fachin. Em resposta, André Mendonça reagiu prontamente, negando as acusações e qualificando a fala de Gilmar Mendes como leviana.

O julgamento extraordinário tem como objetivo decidir se o STF abrirá uma investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes. A pauta baseia-se em um relatório da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), que estabelece supostos vínculos entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. O conteúdo deste documento teve seu sigilo retirado por André Mendonça em 1º de setembro.

A crise institucional se aprofunda com trocas de acusações entre os magistrados. Gilmar Mendes sustenta que a escolha do momento para divulgar os dados coincidiu deliberadamente com as manifestações populares de 7 de setembro. O decano solicitou, em questão de ordem, que o julgamento fosse adiado para o dia 23 de setembro, data na qual já está previsto o debate sobre um pedido de investigação contra André Mendonça, movido por Alexandre de Moraes sob alegação de abuso de autoridade.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet, já se manifestou pedindo a anulação do relatório parcial, argumentando que a condução da investigação por parte de André Mendonça ocorreu sem a devida comunicação ao plenário ou à presidência do Supremo. O material sob análise inclui mensagens atribuídas a Daniel Bueno Vorcaro que sugerem proximidade com Alexandre de Moraes e menções a contratos envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Redação Lawletter
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