SEGURANÇA PÚBLICA
Delegado é alvo de nova prisão por suspeita de desviar drogas de delegacia em Mato Grosso do Sul
Operação Ifrit apura esquema que trocava cocaína apreendida por substâncias adulteradas para abastecer organização criminosa ligada ao PCC
Um delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, identificado como Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, foi alvo de uma nova ordem de prisão preventiva nesta quarta-feira (4), no âmbito da Operação Ifrit. Ele já estava sob custódia desde setembro, quando foi detido na Operação Infiltrados, conduzida pelo Ministério Público estadual.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o delegado é suspeito de utilizar sua posição para facilitar o desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína do depósito da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande. O entorpecente seria entregue a uma organização criminosa com vínculos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
A estratégia para ocultar o desvio consistia na substituição da droga apreendida, que apresentava alto grau de pureza, por uma mistura adulterada contendo cerca de 10% ou menos de cocaína, combinada com substâncias como amido de milho, aglutinantes e fermento. A PF sustenta que o grupo replicava a identificação visual das embalagens e realizava testes para que o material falso apresentasse reação similar à da droga original em exames preliminares, antes de o entorpecente ser encaminhado para destruição.
A investigação aponta que a organização movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos. Apenas em relação ao volume de cocaína desviado, a estimativa é de que o delegado tenha obtido, no mínimo, R$ 15 milhões. Os recursos teriam sido utilizados para a aquisição de um patrimônio incompatível, incluindo uma mansão em um condomínio de luxo na Capital e um sítio em Goiás.
Além do delegado, a Operação Ifrit investiga a participação de outros policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, bem como de um policial rodoviário federal de Mato Grosso. Os agentes são suspeitos de receber vantagens financeiras ou bens em troca de informações sigilosas e de facilitar o acesso de criminosos aos depósitos onde eram armazenadas as drogas apreendidas por diversas forças de segurança.
A ação, que mobiliza sete estados, cumpre 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. A Justiça determinou ainda o afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.
Em nota, a defesa do delegado afirmou ser prematuro comentar o mérito das acusações, uma vez que ainda não teve acesso integral aos autos ou à decisão que fundamentou a nova prisão. A defesa de outro policial civil citado, Douglas Tobias, informou que seu cliente está à disposição para prestar esclarecimentos e ressaltou que ele possui conduta idônea.
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Fonte / Créditos
Fonte: G1, "Delegado de elite é suspeito de trocar cocaína por amido de milho e desviar droga a grupo ultraviolento ligado ao PCC", publicada em 04/11/2026.
https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/11/04/delegado-de-elite-e-suspeito-de-desviar-cocaina-apreendida-pela-policia-a-grupo-utraviolento-ligado-ao-pcc.ghtml
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