Presidente do TCE-MT é preso pela PF por desvios milionários
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DIREITO ADMINISTRATIVO

Presidente do TCE-MT e servidores são presos pela PF por esquema de saques milionários

Decisão do STJ aponta uso de agência bancária dentro do tribunal para converter em dinheiro vivo recursos desviados de pagamentos a fornecedores

Por Redação Lawletter 29/10/2026 14:42
Policiais federais em diligência no TCE-MT.
Créditos da foto: s2-g1.glbimg.com

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e o procurador jurídico do órgão, Grhegory Paiva Pires, foram presos nesta quinta-feira (29) no âmbito da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), investiga um esquema de desvio de verbas que utilizava a estrutura do tribunal para converter pagamentos a fornecedores em dinheiro vivo.

Segundo a decisão do ministro Og Fernandes, do STJ, uma agência bancária instalada nas dependências do TCE-MT servia de ponto para a operacionalização dos saques. Investigações apontam que o grupo priorizava repasses a empresas de publicidade em detrimento de contratos regulares. Apenas no período entre janeiro e outubro de 2025, foram identificados 150 saques em contas vinculadas ao presidente do tribunal, totalizando R$ 15,6 milhões. Do montante recebido por Sérgio Ricardo no período, apenas R$ 305 mil foram classificados como salário, enquanto o restante se dividia em ordens bancárias avulsas e pagamentos a fornecedores.

A estrutura de movimentação contava com a participação direta de servidores próximos à presidência. A chefe de gabinete, Roseli Loss, também presa, é apontada como uma das principais responsáveis pelas retiradas. Relatórios de inteligência financeira, extratos bancários e imagens de câmeras de segurança indicam que ela realizou saques que somam R$ 3,5 milhões. A PF aponta ainda a possível utilização da biometria facial de Sérgio Ricardo para a autorização de transações bancárias.

Os registros visuais obtidos pela investigação detalham a dinâmica dos suspeitos. Em momentos distintos, o procurador Grhegory Paiva foi flagrado colocando blocos de dinheiro em uma mochila, enquanto o assessor jurídico Felipe José Glinke foi observado adotando cautelas, como aguardar a saída de pessoas próximas aos caixas para concluir operações bancárias. Outro envolvido, Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente, também teve sua prisão decretada após ser identificado carregando mochilas entre o posto bancário e as dependências do tribunal.

A investigação observou que, após a presença de agentes federais em uma diligência no TCE-MT em 14 de outubro de 2025, os saques de grande porte diminuíram temporariamente, o que a PF interpreta como uma tentativa de ocultar as operações. A Operação Tomada de Contas cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, envolvendo mais de 180 policiais federais.

Redação Lawletter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Fonte / Créditos

Fonte: G1, "Como presidente do TCE-MT e servidores presos pela PF sacaram R$ 15 milhões em banco dentro do órgão", publicada em 29/10/2026.
https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/10/29/como-presidente-do-tce-mt-e-servidores-presos-pela-pf-sacaram-r-15-milhoes-em-banco-dentro-do-orgao.ghtml

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