Planejamento tributário deixou de ser só economia
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DIREITO TRIBUTÁRIO

Planejamento tributário deixa de ser estratégia de economia e passa a definir o futuro das empresas

Para Artur Hauser Schmitz, transformação do sistema tributário, inteligência artificial e decisões empresariais tornam o Direito Tributário uma questão estratégica para empresas que buscam segurança, eficiência e sustentabilidade.

Planejamento tributário deixa de ser estratégia de economia e passa a definir o futuro das empresas
Crédios da imagem: Acervo Pessoal

Durante muito tempo, o Direito Tributário foi tratado dentro das empresas como uma área essencialmente operacional: calcular impostos, cumprir obrigações e reduzir custos sempre que possível. Em um ambiente empresarial cada vez mais complexo, essa visão começa a ficar para trás.

A tributação passou a interferir diretamente em decisões que vão muito além do pagamento de impostos. Crédito, localização da empresa, escolha do regime tributário, estrutura das operações e preparação para a reforma tributária estão entre os fatores que podem influenciar a própria estratégia de um negócio.

Para Artur Hauser Schmitz, advogado com atuação na área tributária, o tema precisa ser encarado como parte da estratégia empresarial. Em sua avaliação, o Direito Tributário está presente em empresas de todos os segmentos e pode representar tanto uma ferramenta de sustentabilidade quanto um risco significativo quando tratado sem planejamento.

Quando o tributo deixa de ser apenas uma obrigação

O primeiro sinal de que a questão tributária passou a ocupar uma posição estratégica aparece quando decisões fiscais começam a interferir no funcionamento do próprio negócio.

A estrutura tributária pode impactar a capacidade de obtenção de crédito, a localização de uma empresa e até mesmo a escolha do regime tributário. Com a reforma tributária, essa influência tende a ganhar ainda mais relevância.

Na visão de Artur, o empresário precisa acompanhar as mudanças do sistema tributário justamente porque alterações legislativas e interpretativas podem produzir efeitos concretos sobre a atividade econômica.

Mais do que reagir a uma mudança depois que ela acontece, a lógica passa a ser antecipar cenários e compreender como decisões tributárias podem afetar o futuro da empresa.

O risco de confundir economia com planejamento tributário

Em um mercado que oferece inúmeras promessas de redução de carga tributária, existe uma diferença fundamental entre planejamento e simplesmente tentar pagar menos.

Artur chama atenção para estruturas apresentadas como soluções fáceis, recuperação de créditos inexistentes e consultorias que prometem resultados extraordinários sem respaldo técnico.

Segundo ele, as consequências de uma estrutura inadequada podem aparecer posteriormente por meio de autos de infração e, em situações mais graves, até de representações para fins penais.

Isso não significa que buscar economia tributária seja irregular. Pelo contrário: o planejamento tributário é legítimo quando realizado dentro da legislação e com respaldo técnico.

O ponto central está na forma como essa economia é construída.

Para o advogado, profissionais responsáveis precisam acompanhar não apenas a legislação, mas também as interpretações das autoridades fiscais federais, estaduais e municipais e o entendimento do Poder Judiciário.

Planejar não é simplesmente reduzir a guia

Uma das diferenças mais importantes apontadas pelo advogado está entre uma empresa que efetivamente realiza planejamento tributário e outra que simplesmente busca diminuir o valor dos impostos a qualquer custo.

No planejamento, a economia é consequência da utilização de mecanismos legais, respeitando a legislação vigente e a jurisprudência dos tribunais.

A tentativa de reduzir artificialmente a carga tributária, por outro lado, pode produzir apenas uma economia momentânea. Créditos inexistentes ou estruturas sem respaldo podem resultar posteriormente em autuações e outras consequências jurídicas.

Por isso, o planejamento tributário, em sua visão, precisa combinar três elementos: conhecimento técnico, atualização permanente e ética.

O mito da "solução mágica"

Existe ainda uma percepção recorrente entre empresários que, segundo Artur, precisa ser desconstruída: a ideia de que toda empresa possui grandes valores a recuperar do Fisco e que basta encontrar a tese certa para transformar imediatamente o passivo tributário em receita.

A realidade é mais complexa.

Algumas atividades econômicas possuem, historicamente, uma tributação elevada. Nem sempre existe um crédito relevante a recuperar e, em determinados casos, o valor efetivamente identificado pode ser muito menor, ou até maior, do que o empresário imaginava.

Por isso, o planejamento tributário precisa partir de diagnóstico e não de promessa.

Artur alerta que estratégias apresentadas como soluções milagrosas podem funcionar, em alguns casos, mais como ferramenta de marketing para atração de clientes do que como efetivo trabalho jurídico.

O caminho seguro passa pela análise da legislação, da jurisprudência e das particularidades de cada operação.

As perguntas que deveriam estar na mesa do empresário

Se fosse iniciar uma análise tributária dentro de uma empresa, Artur dividiria o trabalho em duas dimensões: passado e futuro.

Para entender o passado, começaria investigando quem são ou foram os fornecedores, onde a empresa realizava suas vendas, quais documentos fiscais possui e quais regimes tributários adotou ao longo do tempo.

Já para projetar o futuro, as perguntas mudariam de natureza: onde estão localizados os clientes, existe possibilidade de mudança de cidade ou estado e a empresa está preparada para os impactos da reforma tributária?

A lógica é transformar a análise tributária em uma ferramenta de diagnóstico e planejamento, e não apenas em uma busca retrospectiva por valores eventualmente recuperáveis.

Reforma tributária coloca planejamento no centro das decisões

Entre todos os fatores que devem transformar a agenda tributária das empresas, Artur destaca a reforma tributária.

Segundo ele, trata-se de uma das maiores mudanças estruturais no sistema tributário brasileiro das últimas décadas, com impacto direto sobre a tributação do consumo e sobre empresas de diferentes portes.

Por isso, deixar a preparação para depois pode significar perder capacidade de adaptação.

A recomendação é que empresários tenham ao lado profissionais de confiança, especialmente contador e advogado, para compreender os impactos da mudança e avaliar quais medidas podem ser tomadas para minimizar eventuais aumentos de carga tributária ou identificar possibilidades legítimas de economia.

A reforma, nesse sentido, deixa de ser apenas um tema jurídico ou contábil e passa a integrar a própria agenda estratégica das empresas.

Do departamento fiscal à inteligência estratégica

A evolução do Direito Tributário acompanha uma transformação maior na forma como as empresas tomam decisões.

Em um cenário de mudanças regulatórias, grandes volumes de dados, novas tecnologias e reforma estrutural do sistema de tributação, o empresário que trata o tema apenas como uma obrigação operacional pode perder oportunidades, ou assumir riscos que poderiam ter sido antecipados.

A nova lógica é mais estratégica: compreender o passado, projetar cenários, acompanhar a legislação, utilizar tecnologia, identificar oportunidades juridicamente sustentáveis e, sobretudo, tomar decisões antes que o problema tributário chegue à porta da empresa.

Para Artur Hauser Schmitz, o futuro da gestão tributária passa justamente por essa combinação entre técnica, planejamento, tecnologia e responsabilidade.

No fim, a questão não é simplesmente quanto uma empresa paga de tributos, mas como a estrutura tributária influencia as decisões que determinam para onde o negócio pode ir.

Redação LawLetter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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