PF desarticula esquema de contrabando com falsas malas diplomáticas
Lawletter

FRAUDE EM AEROPORTO

PF desarticula esquema de contrabando com uso de falsas malas diplomáticas em Viracopos

Ação investiga o uso indevido de privilégios consulares para importar eletrônicos ilegalmente; Justiça Federal bloqueou R$ 20 milhões dos investigados.

Por Redação Lawletter 23/09/2026 13:49
Agentes da Polícia Federal cumprindo mandados em operação contra contrabando no Aeroporto de Viracopos.
Agentes da PF de Campinas durante cumprimento de mandados da operação Rota Diplomática — Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou uma operação de combate ao contrabando de eletrônicos no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), nesta quarta-feira, 23/09/2026. A ação visa desmantelar uma organização criminosa que utilizava a identificação indevida de cargas como malas diplomáticas do Chipre para contornar a fiscalização alfandegária e introduzir mercadorias ilegalmente no país.

O grupo operava mediante a falsificação de selos consulares em remessas internacionais, aproveitando-se do regime de proteção conferido a malas diplomáticas, que, sob condições regulares, possuem trâmite facilitado. A estratégia buscava burlar os controles da Receita Federal para evitar o pagamento de tributos e a inspeção de carga.

Entre os principais alvos das investigações estão um cônsul honorário do Chipre, residente em Indaiatuba (SP), e um cidadão com dupla nacionalidade brasileira e dos Estados Unidos, identificado como Leonardo Menegon Pisciottano. A Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão. Em nota, o Itamaraty esclareceu que não possui ingerência sobre malas diplomáticas de outros Estados e que a condução de investigações policiais é atribuição exclusiva das autoridades competentes.

As investigações tiveram início em 2023, após a Receita Federal interceptar remessas contendo mais de 8 mil smartphones de última geração trazidos dos Estados Unidos. Estima-se que, entre 2023 e 2024, a organização tenha movimentado mais de 230 toneladas de mercadorias sem a devida regularização fiscal. O prejuízo ao erário e a extensão do esquema levaram a Justiça Federal a determinar o bloqueio de R$ 20 milhões em bens dos envolvidos.

Os investigados podem responder pelos crimes de descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Até o momento, as defesas não foram localizadas para comentar o caso. A operação, denominada Rota Diplomática, segue em curso para identificar possíveis desdobramentos e outros envolvidos na fraude que impacta a segurança das fronteiras e a economia nacional.

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000