CRIMINAL
Imagens da Operação Ifrit apontam vínculos entre delegados, policiais e organização criminosa em Mato Grosso do Sul
Registros fotográficos do inquérito mostram encontros, uso de viaturas e confraternizações entre agentes públicos e lideranças do clã Haidar
Imagens anexadas ao inquérito e à decisão judicial que autorizou a Operação Ifrit, deflagrada nesta quarta-feira (4), indicam uma suposta proximidade entre integrantes do clã Haidar e policiais civis de Mato Grosso do Sul. A investigação, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal, apura um esquema de tráfico internacional de drogas e armas, além de corrupção policial, com movimentação estimada em R$ 500 milhões em dois anos.
Entre os registros obtidos pelos investigadores, o delegado Hoffman D’Ávila aparece em momentos de descontração com Adel Hassan Haidar, apontado como um dos líderes do grupo familiar que opera na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Em um dos episódios documentados, ambos são vistos cantando em um aparelho de karaokê. Outras fotos mostram o delegado e Adel manuseando uma arma longa durante um teste de mira e, em outra ocasião, despedindo-se com um abraço.
O inquérito também detalha registros feitos no interior da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) em 16 de dezembro de 2025. Fotos mostram Adule Vasques Haidar, filho de Adel e apontado como operador logístico do clã, posando em frente à sala do arquivo de investigações da unidade policial ao lado de um comparsa. Em outra imagem, o filho de Adel é visto fotografando uma viatura oficial do Garras, na qual estariam os investigadores Andrey Elesbão Silva e Douglas Tobias.
A investigação sustenta que a organização criminosa utilizava uma estrutura para desviar cocaína apreendida de depósitos policiais. Segundo a PF, o delegado Hoffman facilitava o acesso de integrantes do grupo às dependências da Denar. A droga de alta pureza era retirada e substituída por uma mistura adulterada com amido de milho e fermento, com o objetivo de manter o peso e evitar a percepção do desvio antes da destruição oficial do material.
A Operação Ifrit resultou no cumprimento de 76 mandados de busca e apreensão e 26 de prisão, além de medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis. O grupo, conforme a PF, mantinha conexões com facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
Em nota, a defesa técnica do delegado Hoffman D’Ávila afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova custódia nem aos elementos probatórios, sendo prematura qualquer manifestação sobre o mérito. O advogado de Douglas Tobias, Luiz Renê, informou que seu cliente está à disposição para prestar esclarecimentos e afirmou que o policial é uma pessoa idônea.
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Fonte / Créditos
Fonte: G1, "De karaokê à selfie na delegacia: fotos revelam ligação íntima entre delegado de elite, policiais e traficantes em MS", publicada em 05/11/2026.
https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/11/05/de-karaoke-a-selfie-na-delegacia-fotos-revelam-ligacao-intima-entre-delegado-de-elite-policiais-e-traficantes-em-ms.ghtml
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