DIREITO PENAL
Investigação aponta uso de licenças estaduais para bets ilegais e bloqueio de R$ 3,4 bilhões
Operação Azzardo apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo fintech e empresas de fachada que operavam apostas clandestinas fora de suas jurisdições
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (5/11), a Operação Azzardo, focada em desarticular um esquema de apostas ilegais que movimentou aproximadamente R$ 1 bilhão. Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o grupo utilizava licenças de âmbito estadual para captar apostadores de todo o país, prática vedada pela legislação vigente.
De acordo com a delegada Ágata Natasha Santos, a estrutura criminosa operava de formas variadas: desde empresas sem qualquer estrutura física ou digital até plataformas que utilizavam autorizações estaduais de forma irregular para escoar recursos de apostadores de fora das regiões autorizadas. Em um dos casos citados, um único investigado em Goiás gerenciava quatro empresas não licenciadas.
O epicentro financeiro do esquema, conforme apurado, era uma fintech sediada na Faria Lima, em São Paulo. A instituição, A55 Sociedade de Crédito Direto, teria servido como hub para transacionar o capital das bets ilegais, operando, segundo a polícia, sem observar exigências de compliance e comunicação de atividades atípicas. A delegada ressaltou que a maior parte do volume financeiro que circulava na conta da empresa era proveniente de sites de apostas, superando o capital social declarado.
Durante a ação, que mobilizou 200 policiais em seis estados, foram constatadas estratégias para dificultar o rastreamento do dinheiro, como o aliciamento de pessoas de baixa renda para figurarem como sócias de empresas de fachada. Algumas dessas firmas, situadas no Distrito Federal, possuíam registros incompatíveis com o ramo, como assistência psicossocial e comércio de artigos de tarô.
Diante dos indícios de lavagem de dinheiro e operação ilegal de apostas, o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões dos investigados. A decisão judicial também impôs a suspensão dos registros de 100 empresas envolvidas e proibiu os investigados de abrirem novas contas bancárias por 90 dias. Além disso, a Justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
A fintech em questão já havia sido alvo de atenção do Banco Central do Brasil, que, em julho deste ano, manifestou a intenção de cancelar sua autorização de funcionamento. A A55 também ganhou notoriedade pública anteriormente ao encerrar, por irregularidades, uma conta utilizada pelo advogado Willer Tomaz de Souza para transações com a plataforma Blaze.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
Fonte / Créditos
Fonte: Metrópoles, ""Bets do crime" usavam licença local para atuar ilegalmente fora do estado", publicada em 05/11/2026.
https://www.metropoles.com/distrito-federal/bets-do-crime-usavam-licenca-local-para-atuar-ilegalmente-fora-do-estado
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