JUSTIÇA E SEGURANÇA
MPMS recorre ao TJMS para manter internação de investigados no caso Lívia
Ministério Público busca reverter soltura de cinco adolescentes acusados de envolvimento na morte da jovem Lívia Cioca Ferreira.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com um agravo de instrumento junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) para restabelecer a internação provisória de cinco adolescentes suspeitos de participação na morte de Lívia Cioca Ferreira, ocorrida em junho de 2026. A medida, protocolada nesta terça-feira, 22/09/2026, visa garantir a manutenção dos envolvidos sob custódia estatal enquanto o processo socioeducativo tramita, dado o risco social e a gravidade dos fatos apurados pela 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí.
A decisão que motivou o recurso foi a determinação de soltura dos investigados após o fim do prazo da medida cautelar anterior. O Ministério Público sustenta, contudo, que a complexidade da investigação — que envolve a análise de volumoso material digital e cooperação entre órgãos de diferentes estados do País — demanda a continuidade da internação para a preservação da ordem pública e da própria integridade dos procedimentos judiciais.
Conforme as investigações, o grupo operava por meio de estruturas organizadas em plataformas digitais, sob as denominações "PROXY" e "SNAK4". Os envolvidos teriam estabelecido uma hierarquia rígida, com divisão de tarefas voltadas à prática de violência psicológica, crueldade contra animais e a indução de adolescentes vulneráveis a comportamentos autodestrutivos e ao suicídio.
O órgão ministerial ressalta que o tempo de instrução do caso não decorreu de falha ou inércia dos investigadores, mas sim da necessidade técnica de individualizar as condutas de cada envolvido. Além do agravo, já foram apresentadas duas representações que alcançam, ao todo, onze adolescentes de diversas regiões do Brasil, todos apontados por gerenciar o ambiente de hostilidade virtual que culminou na morte de Lívia.
Ao insistir na internação, o MPMS busca assegurar que o sistema de justiça ofereça uma resposta efetiva diante da crueldade exposta pelo caso, reafirmando o compromisso com a proteção de jovens contra o aliciamento e a violência em redes digitais.
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