DIREITO PENAL
Empresa de Marcus Amim recebeu R$ 1,8 milhão de investigada e posto custeou imóvel do ex-delegado
Operação da PF aponta que valores eram repassados via consultoria fictícia para disfarçar pagamentos por proteção e influência do ex-chefe da Polícia Civil do RJ
Uma empresa de propriedade do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim, e de sua mulher, Lylyane Maia Correia Costa, recebeu R$ 1,821 milhão de uma companhia investigada na Operação Unha e Carne. Segundo a Polícia Federal, os pagamentos foram realizados entre 9 de abril de 2024 e 8 de maio de 2026, em parcelas mensais de aproximadamente R$ 70 mil. A suspeita dos investigadores é que a empresa, a Mamim Consultoria, servisse como fachada para remunerar o delegado por proteção institucional e influência política.
A investigação também revelou que um posto de combustíveis ligado ao grupo criminoso adiantou R$ 1,62 milhão para a compra de uma residência de luxo em Camboinhas, Niterói, avaliada em R$ 3,28 milhões. O imóvel, adquirido por Amim em 2025, contou com pagamentos realizados diretamente pela empresa Posto Pendotiba, em vez do comprador. A Procuradoria-Geral da República afirmou, em parecer que embasou as ordens de prisão, que o delegado utilizava cargos de cúpula no Detran-RJ e na Polícia Civil para garantir a segurança das atividades do grupo.
Marcus Amim foi preso nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma ação, foram presos o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), além de quatro inspetores da Polícia Civil. As defesas de Canella e Amim informaram que não se pronunciarão sobre o caso até que tenham acesso aos autos processuais.
Além das prisões, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a realização de 16 mandados de busca e apreensão em sete cidades fluminenses. A decisão incluiu o sequestro de bens e valores, bem como a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas, em sua maioria postos de combustíveis. A PF aponta que a rede utilizava esses estabelecimentos para lavagem de dinheiro, movimentando cerca de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026, conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A investigação aponta ainda que Amim figurava como sócio oculto de postos de gasolina, mantendo sua participação societária sob o nome de terceiros. Documentos encontrados pela PF reforçam os indícios de que o delegado recebia valores recorrentes e gerenciava assuntos particulares, como reformas e multas de trânsito, por meio de agentes que protegiam o esquema criminoso.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
Fonte / Créditos
Fonte: G1, "Empresa de Amim recebeu R$ 1,8 milhão de investigada, e posto adiantou R$ 1,6 milhão para ex-chefe da Civil comprar casa, diz PF", publicada em 15/10/2026.
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/15/empresa-de-amim-repasse-de-investigada-e-posto-adiantou-dinheiro-para-ex-chefe-da-civil-comprar-mansao-diz-pf.ghtml
Comentários (0)
Deixe seu comentário