Justiça decreta prisão preventiva de advogado em SP
Lawletter

DIREITO PENAL

Justiça decreta prisão preventiva de advogado investigado por fraudes em ações judiciais no interior de SP

Advogado é suspeito de liderar grupo que adquiria créditos de idosos por valores irrisórios em processos bancários.

Por Redação Lawletter 21/10/2026 14:36
Advogado Guilherme Menna Barreto Gentil
Créditos da foto: s2-g1.glbimg.com

A Justiça decretou a prisão preventiva do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, após ele ser preso em flagrante na terça-feira (20) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O advogado, que atua em causas de Direito Bancário e do Consumidor, é apontado pelo Ministério Público como a figura central de um grupo investigado por fraudes em milhares de processos, muitos deles envolvendo aposentados e pensionistas.

No momento da chegada dos policiais para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o investigado foi encontrado trancado em um banheiro próximo a uma janela aberta. Segundo os autos, um notebook e um celular foram localizados danificados na área da piscina do edifício. A decisão que converteu a prisão em preventiva fundamentou-se no risco à instrução processual, sob o argumento de que o advogado, em liberdade, poderia destruir provas e influenciar testemunhas, além de apontar potencial risco de fuga devido à validade de visto para os Estados Unidos.

As investigações tiveram início após a Vara de Altinópolis identificar um volume atípico de mais de 2 mil ações ligadas ao escritório MBG Advocacia, de titularidade de Guilherme. Conforme o apurado, o esquema contava com o auxílio da empresa Desenrola, do pai do advogado, para o atendimento de clientes e colheita de assinaturas. O Ministério Público aponta que o grupo comprava créditos judiciais dos clientes por preços inferiores a 20% do valor real, sendo que, em alguns casos, o saque dos valores era realizado na conta pessoal do advogado mesmo após a suposta cessão do crédito.

Ao serem ouvidos, diversos autores das ações relataram à Justiça desconhecer a venda de seus direitos creditórios. O Gaeco apura possíveis crimes de apropriação indébita, estelionato contra idosos, fraude eletrônica, falsidade ideológica e organização criminosa. A Receita Federal identificou que Guilherme também é sócio-administrador da AMG Compra de Créditos Judiciais, empresa que teve sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça.

Em nota, a defesa do investigado, representada pelo advogado Julio Mossin, negou a ocorrência de fraudes ou a apropriação indevida de valores de clientes. O defensor também afirmou que o cliente não admitiu ter descartado os equipamentos eletrônicos e contestou a necessidade da segregação cautelar.

Anteriormente, o juízo de Altinópolis havia determinado a suspensão de saques nos processos do advogado e exigido o reconhecimento de firma em procurações. Após recurso da defesa ao Tribunal de Justiça, a exigência de firma reconhecida foi suspensa em pelo menos um caso, mantendo-se, contudo, as demais restrições.

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Fonte / Créditos

Fonte: G1, "Quem é o advogado preso por jogar notebook da janela durante operação que investiga fraudes em ações de idosos em SP", publicada em 21/10/2026.
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/10/21/quem-e-o-advogado-preso-por-jogar-notebook-da-janela-durante-operacao-que-investiga-fraudes-em-acoes-de-idosos-em-sp.ghtml

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000