A Inteligência Artificial está tirando vagas de operadores do Direito?
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A Inteligência Artificial está tirando vagas de operadores do Direito? Estudo diz que não

Estudo independente mostra que, com os recordes históricos de novos processos no país, a IA não reduziu vagas no contencioso massificado e está associada a salários maiores para quem trabalha com a IA da Enter.

Por Redação Lawletter 04/11/2026 12:51
A Inteligência Artificial está tirando vagas de operadores do Direito? Estudo diz que não
Créditos da imagem: Reprodução/Enter

A Enter, startup brasileira de tecnologia, divulga os resultados de seu primeiro estudo sobre o impacto da inteligência artificial no mercado jurídico. A pesquisa, realizada com o apoio da Bain & Company, reúne dados públicos do Judiciário brasileiro, entrevistas com centenas de advogados e benchmarks globais.

O levantamento parte de um cenário de forte pressão sobre a advocacia de massa: o alto volume de processos no país impõe uma rotina de trabalho desvalorizada, com etapas majoritariamente repetitivas e mecânicas. As análises resultaram em quatro conclusões centrais.

Principais conclusões: o impacto da IA na advocacia de volume

1. O volume de processos cresce em ritmo acelerado no Brasil

A inteligência artificial reduziu a barreira de acesso à Justiça e facilitou o ingresso de novas ações, ampliando a demanda por resposta das empresas litigadas. O que os dados revelam:

Desde 2009, a litigiosidade no país crescia de forma constante, entre 2% e 3% ao ano. Em 2022, ano de lançamento do ChatGPT, o ritmo foi para 8% ao ano e, entre as grandes empresas, o crescimento foi o dobro da média do mercado, chegando a 16% ao ano apenas nos processos cíveis.

Em um caso analisado, uma única empresa tinha provisionado para disputas judiciais o equivalente a 159% do seu lucro anual — ou seja, mais de um ano inteiro de lucro parado para possíveis gastos judiciais.

2. Poucos advogados sustentam esse volume desproporcional

Os profissionais do contencioso de massa representam cerca de 2% dos 1,5 milhão de advogados registrados no país, mas respondem por mais de 70% dos processos das maiores empresas brasileiras. Essa pequena parcela de advogados atua em um modelo de trabalho de escala, historicamente precarizado em relação a outras áreas do Direito, caracterizado por margens baixas e prazos apertados.

A análise da Bain revelou que dois em cada três advogados de contencioso de massa apontam o volume como o principal desafio da operação.

3. A inteligência artificial não reduz o número de advogados

Entre 2018 e 2025, o número de advogados nos escritórios de contencioso de volume cresceu 3% ao ano: mesmo com a redução do trabalho mecanizado, o aumento da demanda supera os ganhos de eficiência promovidos pela IA.

De maneira geral, o setor jurídico mantém um ritmo de crescimento estável tanto no Brasil quanto em mercados mais maduros na adoção de IA. No Reino Unido e na França, por exemplo, a advocacia cresceu 3% e 2% ao ano, respectivamente, desde 2019.

4. A inteligência artificial valoriza a remuneração do advogado

Com mais visibilidade de dados e tarefas operacionais delegadas à tecnologia, os profissionais passam a dedicar mais tempo à interpretação, ao julgamento e à tomada de decisão, trabalho de maior valor agregado que se reflete em melhor remuneração.

Em escritórios de contencioso de massa, quem utiliza a IA da Enter recebe, em média, 19% a mais entre estagiários, 14% entre advogados juniores e 43% entre advogados plenos, em relação a pares que não utilizam a tecnologia.

“Quem utiliza a IA faz um trabalho com maior nível de julgamento e é melhor remunerado por isso. Essa é a missão que a Enter começou três anos atrás: tirar do advogado o peso do volume e abrir espaço para mais estratégia, julgamento e poder de decisão.”

Mateus Costa-Ribeiro, fundador e CEO da Enter

Acesse o estudo completo

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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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