Inteligência Artificial
5 dicas para aplicar IA na gestão de produtos digitais sem comprometer segurança e qualidade
IA acelera o desenvolvimento de software, mas 45% do código gerado por ela tem vulnerabilidades. Como equilibrar velocidade e segurança
A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para se tornar parte da rotina das equipes de tecnologia. No Brasil, a busca por profissionais com conhecimentos em IA cresceu 306% entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Gupy, refletindo a rápida incorporação da tecnologia aos processos de desenvolvimento de software. Ao mesmo tempo, a expansão do uso da IA levanta novos desafios relacionados à segurança, governança e qualidade das entregas.
Para Alexandre Stumpf, Chief Technology Officer (CTO) da doc9 e executivo com mais de 20 anos de experiência em empresas como Neon, Getnet e Ontop, o desafio das organizações já não é decidir se devem utilizar inteligência artificial, mas aprender a incorporá-la de forma responsável às rotinas de desenvolvimento de produtos. "A discussão costuma girar em torno da substituição de pessoas, mas a principal mudança está na forma como os times trabalham. A IA muda a maneira de construir produtos e exige novas competências de quem lidera essas equipes", afirma.
A seguir, o especialista reúne cinco práticas que considera essenciais para aproveitar o potencial da IA sem abrir mão da qualidade e da segurança.
1. Transforme experimentação em rotina
A IA reduziu significativamente o custo de testar ideias, criar protótipos e validar hipóteses. Isso faz com que a velocidade de aprendizado passe a ser um diferencial competitivo.
Segundo pesquisa da McKinsey, empresas que incorporaram IA ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento registraram ganhos entre 16% e 30% em produtividade e melhorias de até 45% na qualidade do software. Para Stumpf, "Hoje, a vantagem competitiva não está em produzir mais funcionalidades, mas em aprender mais rápido o que realmente gera valor para o usuário."
2. Estabeleça limites claros para o uso da IA
A adoção da inteligência artificial exige processos bem definidos sobre onde ela pode atuar, quais informações podem ser utilizadas e quais etapas continuam dependendo de validação humana.
Segundo Stumpf, aplicações que envolvem documentos, contratos ou dados sensíveis precisam combinar automação com mecanismos de revisão, rastreabilidade e controle de acesso. "A velocidade que a IA oferece só se transforma em valor quando existe governança. Sem critérios claros, o que acelera também é o risco."
3. Nem toda informação deve ser enviada para modelos públicos de IA
O crescimento da IA nas empresas ainda não foi acompanhado pelo mesmo avanço em governança. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, 87% das organizações brasileiras ainda não possuem políticas formais de governança para IA, enquanto 61% não adotam controles de acesso específicos para o uso da tecnologia.
"Informações enviadas para modelos públicos de IA precisam ser tratadas como dados sensíveis. A tendência é que as empresas evoluam para arquiteturas com anonimização, camadas de proteção e modelos cada vez mais controlados”, afirma o CTO.
4. Saber decompor problemas será uma das competências mais valiosas
Embora a IA seja eficiente para acelerar tarefas repetitivas, ela ainda apresenta limitações diante de desafios complexos. Levantamento da McKinsey aponta ganhos de até 46% em tarefas rotineiras, enquanto o impacto é significativamente menor quando as atividades exigem maior capacidade analítica e tomada de decisão.
"Um dos maiores erros é esperar que a IA resolva problemas complexos de uma única vez. O papel do gestor é dividir esses desafios em etapas menores, identificar onde a tecnologia realmente agrega valor e validar cada resultado antes de seguir para a próxima fase”, diz Stumpf.
5. As decisões continuam sendo humanas
Para Stumpf, a popularização da IA torna ainda mais importantes habilidades que nenhuma tecnologia substitui. Curiosidade, criatividade, coragem, comunicação e compaixão seguem sendo competências essenciais para quem lidera produtos digitais. "A IA informa a decisão, mas não assume as consequências de um erro. A responsabilidade continua sendo das pessoas. O diferencial competitivo, daqui para frente, estará na capacidade de combinar inteligência artificial com julgamento humano”, concluí o executivo.
Sobre a doc9
A doc9 é uma lawtech que atua como parceira de grandes escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos, oferecendo um ecossistema integrado de soluções que combina logística jurídica em escala nacional e softwares SaaS de alta tecnologia, voltados à eficiência operacional, segurança da informação e inteligência jurídica. Entre suas soluções estão a terceirização e gestão de audiências e diligências, cálculos judiciais auditados, o Whom.doc9 — primeiro gerenciador de certificados digitais do Brasil — e o Which.doc9, IA jurídica proprietária.
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