SEGURANÇA PÚBLICA
Tráfico impõe provedores clandestinos e restringe acesso à internet em comunidades do RJ
Operações policiais contra o domínio de facções no setor de telecomunicações revelam coação de moradores e boicote a operadoras regularizadas.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Backbone apontam que organizações criminosas têm exercido o controle sobre a oferta de serviços de internet em diversas comunidades do RJ. A prática consiste em impedir, por meio de ameaças e atos de vandalismo, a atuação de operadoras de telecomunicações regularizadas, forçando moradores e comerciantes a contratar provedores vinculados a facções criminosas.
Segundo relatos coletados, criminosos cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição para inviabilizar o funcionamento das empresas legais e inibir o trabalho das equipes de manutenção. Em regiões como o Engenho da Rainha, Benfica e Itaboraí, usuários relatam a exclusão de marcas tradicionais do mercado e a imposição de taxas abusivas por serviços de qualidade inferior. Os valores cobrados por provedores clandestinos, como a Oliver Net, variam conforme a localidade e a velocidade contratada, incluindo cobranças adicionais por instalação e suporte técnico.
Em resposta ao esquema, as autoridades deflagraram ações coordenadas. Na segunda-feira (19), a Polícia Federal realizou uma operação contra o domínio do Comando Vermelho em complexos como o do Alemão, da Penha e do Chapadão. A diligência resultou em 20 prisões, incluindo familiares de um artista local e o cumprimento de mandado contra um dos líderes da facção, já detido em penitenciária federal. O vereador Fábio Silva também foi preso durante a ação. Na terça-feira (20), a Polícia Militar realizou operação na Vila Kennedy, na Zona Oeste, onde cinco pessoas foram detidas sob suspeita de envolvimento em tráfico e exploração irregular de serviços.
Em nota, a Conexis Brasil, que representa empresas do setor, destacou que o bloqueio ao acesso de técnicos dificulta a manutenção e coloca em risco a integridade dos profissionais. A entidade defende ações de segurança pública integradas para reverter o cenário.
A Polícia Civil informou que mapeia as estruturas financeiras dessas organizações e reforçou a necessidade de que vítimas formalizem denúncias nas delegacias. A Polícia Militar, por sua vez, declarou que mantém policiamento nas áreas afetadas e orienta a população a registrar ocorrências diante do monopólio ilegal, que costuma operar de forma velada.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
Fonte / Créditos
Fonte: G1, "'Não temos saída', dizem moradores obrigados a usar internet controlada pelo tráfico", publicada em 20/10/2026.
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/20/relatos-moradores-internet-trafico.ghtml
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