Proibir IA não faz sentido, diz José Castellian
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Proibir uso de IA no escritório não faz sentido, diz José Castellian

Especialista defendeu que escritórios estabeleçam regras, padrões e supervisão para o uso da inteligência artificial, em vez de tentar impedir que profissionais utilizem a tecnologia.

Proibir uso de IA no escritório não faz sentido, diz José Castellian

Proibir o uso de inteligência artificial dentro de escritórios de advocacia deixou de ser uma alternativa viável. Para José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO e fundador da Awtra, a discussão deve estar concentrada em como estabelecer padrões de utilização, governança e revisão humana para incorporar a tecnologia à rotina jurídica.

Durante sua participação no Além do Direito, evento de dois anos da Lawletter, Castellian afirmou que a IA já faz parte do cotidiano profissional e que escritórios que simplesmente tentarem impedir seu uso poderão perder eficiência diante de concorrentes que souberem incorporá-la aos próprios processos.

“Não existe mais a possibilidade nem remota sequer da gente proibir e limitar o uso da inteligência artificial em nossos escritórios, porque não faz sentido”

José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO/fundador da Awtra

Segundo ele, o problema não é a existência da ferramenta, mas a ausência de controle sobre a forma como diferentes integrantes de uma mesma equipe a utilizam.

Concorrente continuará utilizando IA

Castellian afirmou que impedir um advogado júnior de utilizar inteligência artificial dentro de um escritório não significa que a tecnologia deixará de produzir efeitos sobre aquele mercado.

O concorrente, segundo ele, poderá utilizar a mesma ferramenta para executar mais atividades com menos pessoas, desde que consiga preservar a qualidade do serviço.

“Não faz sentido eu olhar para o meu advogado júnior e falar assim para ele: ‘olha, não usa IA porque está proibido no escritório utilizar inteligência artificial’. O concorrente de vocês vai estar utilizando inteligência artificial”

José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO/fundador da Awtra

Para Castellian, a resposta está na estruturação de processos internos que definam quais ferramentas podem ser usadas, para quais finalidades e sob quais condições.

Governança começa pela padronização

Um dos riscos apresentados durante a palestra foi a possibilidade de diferentes profissionais do mesmo escritório utilizarem ferramentas distintas e com níveis diferentes de segurança e confiabilidade.

Castellian citou como exemplo um cenário em que um integrante trabalha com uma ferramenta previamente configurada e alimentada com padrões do escritório, enquanto outro utiliza uma solução genérica e acaba levando uma jurisprudência inexistente para uma peça.

“Quem vai ser afetado, no fim do dia, vai ser o meu escritório”

José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO/fundador da Awtra

É nesse ponto que, segundo ele, começa uma discussão mais ampla sobre governança de inteligência artificial.

“O foco não é proibir, é a gente adaptar e padronizar esse uso”, afirmou ao defender que escritórios criem procedimentos próprios para utilização dessas tecnologias.

A padronização pode envolver modelos de documentos, bases de conhecimento, estilo de escrita, fontes utilizadas e regras específicas para atividades recorrentes.

IA pode reproduzir o método do escritório

Castellian defendeu que ferramentas de IA sejam configuradas para reproduzir processos já estabelecidos internamente.

Na prática, um escritório poderia criar instruções para que determinada ferramenta conhecesse seus modelos de petição, padrões visuais, fontes utilizadas e regras de elaboração de documentos.

Segundo ele, esse processo permite transformar tarefas que atualmente dependem de comandos repetitivos em fluxos padronizados.

“Se o sócio hoje configura o padrão, o escritório inteiro produz igual”

José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO/fundador da Awtra

A proposta não significa, entretanto, que um documento produzido por inteligência artificial esteja automaticamente pronto para utilização.

Humano precisa permanecer no controle

Castellian ressaltou que a padronização não elimina a responsabilidade de revisar aquilo que a ferramenta produz.

Ele destacou o princípio conhecido como human in the loop, que mantém uma pessoa dentro do fluxo de aprovação das decisões e documentos produzidos com apoio da inteligência artificial.

“Não é para vocês saírem daqui utilizando a IA à torto e a direito e não verificando nada”, alertou.

Mais adiante, ao abordar diretamente a responsabilidade profissional, Castellian reforçou que a IA deve produzir um rascunho, enquanto a decisão final permanece com o advogado.

“A revisão jurídica não é uma etapa opcional. Vocês assinam, vocês respondem perante a OAB e perante o cliente. Não façam nada sem revisar”

José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO/fundador da Awtra

Na avaliação apresentada durante a palestra, portanto, incorporar inteligência artificial à advocacia não significa entregar o controle da atividade à tecnologia. Significa utilizar automação para reduzir tarefas repetitivas enquanto o profissional concentra seu trabalho em análise, estratégia e validação.

“O foco não é proibir, é a gente adaptar e padronizar esse uso. [...] A revisão jurídica não é uma etapa opcional. Vocês assinam, vocês respondem perante a OAB e perante o cliente.”

José Castellian, mentor da Lao Academy e CEO/fundador da Awtra

Para conferir a fala completa de José Castellian no Evento Além do Direito, adquira a gravação completa do evento

Redação Lawletter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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