ESPECIAL AGU
Procuradores das quatro carreiras da AGU falam sobre rotina, tecnologia e preparação
No encerramento de "O Futuro da AGU", integrantes das quatro carreiras trataram da unidade da instituição, do avanço da tecnologia no trabalho e das estratégias de estudo para o concurso
A terceira e última noite do evento "O Futuro da AGU", realizada em 24 de setembro, reuniu integrantes das quatro carreiras da Advocacia-Geral da União para uma conversa sobre o dia a dia de cada função. Participaram a procuradora do Banco Central Natália Barbosa, o procurador federal Frederico Amado, o advogado da União Lucas Iud e o procurador da Fazenda Nacional André Barros, com mediação do procurador Renério Castro. O encontro foi promovido pela Lawletter, pela Associação Nacional dos Advogados da União (ANAUNI) e pelo Revisão Ensino Jurídico.
"Não é melhor nem pior, são diferentes"
Um ponto reuniu as avaliações dos convidados: a ideia de que as quatro carreiras se equivalem e caminham para uma atuação cada vez mais integrada. A procuradoria do Banco Central é a menor delas, com cerca de 150 integrantes e foco na defesa exclusiva da autarquia; a Procuradoria-Geral Federal reúne o maior número de temas, por atender autarquias e fundações como o INSS; a advocacia da União concentra as demandas não tributárias; e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional cuida da dívida ativa e do contencioso tributário. Para Frederico Amado, essa diversidade não estabelece hierarquia entre as funções.
"Não é melhor nem pior, são diferentes e têm que se unir, porque elas têm a mesma remuneração, elas têm as mesmas prerrogativas e nós, unidos, somos muito mais fortes."
Frederico Amado
O advogado da União Lucas Iud, que tomou posse em 2024, disse que os novos integrantes já chegam com essa mentalidade e associou a integração à qualidade do serviço prestado.
"Não tem essa distinção de procurador federal, de procurador do Bacen, de PFN. Nós somos a AGU."
Lucas Iud
Tecnologia e desterritorialização mudam a rotina
O segundo eixo da conversa foi a transformação do trabalho pela tecnologia e pela distribuição de processos que não depende mais do local de origem da demanda. Os convidados relataram equipes especializadas por matéria e espalhadas pelo país, com forte adesão ao teletrabalho, e apontaram a inteligência artificial como caminho para lidar com o alto volume de processos, especialmente na área previdenciária. Frederico Amado, que atua com demandas de massa do INSS, definiu o papel dessa ferramenta.
"A solução para demanda de massa é a inteligência artificial. Isso não é um substitutivo, isso é uma ferramenta."
Frederico Amado
Na Procuradoria da Fazenda Nacional, André Barros contou que parte da execução fiscal já é automatizada, com o sistema propondo, pedindo o arquivamento e até a extinção de ações sem intervenção manual, o que libera o procurador para o trabalho de análise.
"A ideia é justamente automatizar o que pode ser automatizado e deixar o trabalho do procurador, o trabalho pensante, mais dedicado ao que precisa ser efetivamente pensado."
André Barros
A preparação e a mensagem aos candidatos
O terceiro bloco tratou da preparação para o concurso, tema que ganhou força com o novo Exame Nacional da Advocacia Pública (ENAP) e a expectativa de abertura dos certames. Natália Barbosa e Lucas Iud defenderam a resolução intensa de questões, com a meta de cerca de cem por dia depois da formação de base, e a persistência diante das reprovações. Natália resumiu a orientação em uma frase.
"Não deixem ninguém apequenar o sonho de vocês, porque você tem que acreditar e focar."
Natália Barbosa
Ao encerrar, Lucas Iud ligou o esforço de estudo ao sentido do trabalho na advocacia pública.
"O concurso público muda vidas. Não muda só a nossa vida, muda a vida das pessoas ao nosso redor."
Lucas Iud
As três lives do evento seguem disponíveis para quem quiser assistir na íntegra no canal da Lawletter no YouTube.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
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