TCE-MT fica sem quórum e presidente critica conselheiros
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Presidente do TCE-MT critica colegas e encerra “sessão que não existiu”

Plenário ficou sem quórum um dia após Sérgio Ricardo retirar Waldir Teis da supervisão da Escola de Contas. Três conselheiros divulgaram nota pedindo reconsideração da medida.

Por Redação Lawletter 23/09/2026 13:05
Presidente do TCE-MT critica colegas e encerra “sessão que não existiu”
Crédito da imagem: Reprodução / transmissão do TCE-MT.

A sessão plenária do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) prevista para terça-feira, 22 de setembro, não chegou a ser aberta por falta de quórum. Durante a transmissão, o presidente da Corte, Sérgio Ricardo, criticou os conselheiros ausentes, afirmou que eles haviam confirmado participação e encerrou os trabalhos chamando o encontro de uma “sessão que não existiu”.

Além do presidente, apenas José Carlos Novelli participava, por videoconferência. Sérgio Ricardo explicou que a abertura dependia da presença de outros três conselheiros e que os 15 minutos de tolerância previstos no regimento já haviam transcorrido.

O presidente informou que Campos Neto estava de licença e afirmou que as assessorias dos demais integrantes haviam confirmado participação, presencialmente ou a distância. Waldir Júlio Teis, Antonio Joaquim, Guilherme Maluf e Alisson Alencar não compareceram.

“O povo paga, o conselheiro recebe, o conselheiro não trabalha de graça”, declarou Sérgio Ricardo, ao cobrar o cumprimento das atividades do tribunal.

Com 13 processos previstos para análise, o presidente pediu desculpas à população, determinou o registro formal da não realização da sessão e transferiu os trabalhos para a terça-feira seguinte. Antes do encerramento, anunciou que iria “encerrar a sessão sem abri-la”.

O episódio ocorreu um dia depois de Sérgio Ricardo retirar Waldir Júlio Teis, vice-presidente do TCE-MT, da supervisão da Escola Superior de Contas e designar a si próprio para a função. Teis havia sido nomeado para exercer a supervisão até dezembro de 2027. A mudança atingiu essa atribuição administrativa, preservando seu cargo de conselheiro.

Na terça-feira, Antonio Joaquim, Guilherme Maluf e Alisson Alencar divulgaram uma nota conjunta de solidariedade a Teis. Os três classificaram a substituição como motivo de “grave preocupação institucional” e pediram que a Presidência reconsiderasse a medida.

O documento defende que divergências de entendimento são legítimas e inerentes ao funcionamento de um tribunal colegiado. Também sustenta que nenhum membro deve se sentir constrangido, limitado ou sujeito a consequências administrativas pelas posições adotadas no exercício de suas atribuições.

“As prerrogativas da Presidência devem ser exercidas com absoluto respeito à autonomia dos conselheiros, à colegialidade e à pluralidade de entendimentos”, afirma a nota.

Os signatários manifestaram discordância com a decisão e defenderam sua revisão em nome da independência dos membros, da harmonia institucional e da autoridade do colegiado. O texto, porém, não aponta uma divergência específica como motivo da substituição.

Embora a falta de quórum tenha ocorrido na sequência da mudança na Escola de Contas, não há confirmação de que as ausências tenham sido uma reação ao ato da Presidência. A nota não estabelece essa relação, e Sérgio Ricardo também não atribuiu expressamente as faltas ao episódio durante a transmissão.

Redação Lawletter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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