DIREITO PENAL
Áudios indicam que Kelly Cristina Queiroz ofereceu imóvel como cativeiro em Franca
Relatório da Polícia Civil apresenta novas provas de que a ré teria auxiliado na logística de sequestro de família, contradizendo sua versão de inocência.
Novos áudios obtidos pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, em São Paulo, indicam que Kelly Cristina Queiroz ofereceu a própria casa para servir de cativeiro a uma família. O caso é um desdobramento da investigação sobre o homicídio de Milton de Sousa Prado, ocorrido em junho, que resultou no sequestro de seus familiares.
O material, que integra um relatório de 12 de outubro, aponta que a investigada monitorava as ações de um grupo, recebia informações sobre interrogatórios e orientava sobre o funcionamento do imóvel onde as vítimas foram resgatadas. Segundo o delegado Gabriel Fernando Tomás da Silva, as gravações demonstram que Kelly acompanhava a situação e ofereceu a residência para impedir a fuga das vítimas.
Em um dos áudios, datado de 5 de julho, Kelly responde a uma mensagem de Ana Laura de Sousa Rosa Alves, também ré no processo, que relatava o descuido de não ter trancado as vítimas em casa. Kelly instrui: “Tinha que ter soltado elas não, Aninha. Podia ter deixado elas até aqui na minha casa. Tá doida? Elas vai vazar, mano”. No dia seguinte, a mãe, a irmã adolescente e uma bebê recém-nascida foram levadas ao imóvel alugado por Kelly, no Jardim Aeroporto III.
O relatório também traz orientações da ré sobre o manejo do portão da residência e o fornecimento de alimentos. As evidências colhidas com autorização judicial, incluindo registros de WhatsApp e de uma conta Google, contradizem a versão apresentada por Kelly à imprensa em 17 de julho, quando afirmou que havia perdido o celular e que não conhecia os responsáveis pelo sequestro.
A Polícia Civil aponta que a conta de WhatsApp de Kelly permaneceu ativa durante todo o período do cárcere privado. O conteúdo das conversas revela ainda o repasse de detalhes sobre os interrogatórios realizados com Maria Isabel Oliveira Prado, filha do caseiro, na tentativa de localizar os autores da morte de Milton. O grupo suspeito teria buscado intermediar contatos com integrantes de facção criminosa para conduzir os interrogatórios.
Em julho, a Justiça tornou sete pessoas rés pelo crime de sequestro e cárcere privado. No dia 30 daquele mês, o juízo decretou a prisão preventiva de Kelly, posteriormente convertida em domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, em razão de ela ser mãe de filhos menores. A defesa da acusada sustentou anteriormente que os objetos encontrados no imóvel não comprovam seu envolvimento e reafirmou sua inocência.
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Fonte / Créditos
Fonte: G1, "Áudios indicam que ré ofereceu a própria casa como cativeiro de família de caseiro morto em Franca, SP, diz polícia", publicada em 30/10/2026.
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/10/30/audios-indicam-que-re-ofereceu-a-propria-casa-como-cativeiro-de-familia-de-caseiro-morto-em-franca-sp-diz-policia.ghtml
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