PF apura vazamento de dados na Operação Unha e Carne
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DIREITO PENAL

PF investiga vazamento de informações sigilosas da Operação Unha e Carne por escrivão

Suspeito teria alertado alvos sobre deflagração de fase anterior; investigação aponta esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis no Rio de Janeiro

Por Redação Lawletter 15/10/2026 16:51
Escrivão da PF encontrou um dos alvos da Operação Unha e Carne no dia anterior à deflagração
Créditos da foto: admin.cnnbrasil.com.br

A Polícia Federal investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Unha e Carne, que apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis no Rio de Janeiro. O escrivão da instituição, Fábio Henrique Ferreira dos Santos, é apontado como suspeito de alertar alvos da organização criminosa na véspera de uma das fases da operação.

A 8ª fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada nesta quinta-feira (15), cumprindo seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em diversos municípios fluminenses, incluindo Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Entre os presos estão o deputado eleito Márcio Canella, o delegado de Polícia Civil Marcus Vinicius Amim Fernandes, os agentes da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior, além do secretário municipal de ordem pública de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes.

Conforme o levantamento da PF, foram identificados indícios de comunicações entre o escrivão Fábio Henrique Ferreira dos Santos e Pablo Jukia Felix Ferreira, apontado como operador financeiro do grupo, durante os meses de abril e julho de 2026. A investigação aponta que o escrivão utilizou o modo de mensagens temporárias no WhatsApp, dificultando a recuperação dos registros. Além disso, as autoridades documentaram um encontro presencial entre ambos no dia 6 de julho, véspera da deflagração da 6ª fase da operação. Câmeras de segurança do condomínio de Pablo Jukia Felix Ferreira teriam registrado a retirada de documentos e itens do local antes da ação policial.

Diante dos indícios, a Polícia Federal representou ao Supremo Tribunal Federal pelo afastamento cautelar do escrivão de suas funções e pela proibição de acesso às instalações e sistemas da corporação. A investigação também aponta a compra de informações sigilosas de órgãos de fiscalização, como o Procon-RJ e a Sedecon, para antecipar cronogramas de vistorias e evitar autuações por adulteração de combustíveis.

A atual etapa da ofensiva, integrada à Força-Tarefa Missão Redentor II, também resultou no sequestro de bens e na suspensão das atividades econômicas de 112 empresas, das quais 96 são postos de combustíveis. Os investigados devem responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil afirmou que apoia a Polícia Federal e não compactua com desvios de conduta. A defesa de Marcus Vinicius Amim Fernandes declarou que aguarda acesso aos autos para se manifestar. Os advogados de Giovanni Gaspar Fernandes e Christiano Gaspar Fernandes informaram que não tiveram acesso ao conteúdo das investigações até o momento.

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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Fonte / Créditos

Fonte: CNN Brasil, "Escrivão da PF teria alertado suspeitos antes de operação no RJ", publicada em 15/10/2026.
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/escrivao-da-pf-teria-alertado-suspeitos-antes-de-operacao-no-rj/

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