Operação Resgate VI liberta 479 trabalhadores em condições análogas
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COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO

Operação Resgate VI liberta 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão

Forças-tarefa identificaram irregularidades graves em diversas regiões do país durante o mês de agosto de 2026, resultando em mais de R$ 1,4 milhão em verbas rescisórias.

Por Cibelle Ferreira 09/09/2026 12:22
Equipe de fiscalização da Operação Resgate em trabalho de campo.
Equipes de fiscalização atuaram em diversas regiões para combater a exploração de mão de obra.

Um esforço conjunto de fiscalização resultou no resgate de 479 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante o mês de agosto de 2026. A ação, denominada Operação Resgate VI, contou com a participação fundamental do Ministério Público Federal (MPF) e buscou interromper violações graves aos direitos humanos, garantindo a dignidade e a reparação financeira imediata aos indivíduos afetados.

Entre as vítimas resgatadas, encontravam-se 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes, além de 68 trabalhadores estrangeiros vindos da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau. O impacto do flagrante é mais expressivo na Região Sudeste, que concentrou 267 resgates, sendo 208 destes apenas em Minas Gerais.

A operação revelou um cenário preocupante de precariedade laboral: 57,5% dos casos ocorreram no meio rural, com foco na produção agrícola e extrativismo, enquanto 36,5% foram registrados em zonas urbanas. A construção civil destacou-se isoladamente com o maior índice de resgatados, somando 85 pessoas retiradas de ambientes de trabalho degradantes.

Além dos resgates, a força-tarefa emitiu 1.836 autos de infração e ordenou 28 interdições devido a riscos iminentes à integridade física dos funcionários. Os empregadores foram notificados a regularizar os vínculos retroativamente e quitar mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas. A decisão de interrupção das atividades é imediata, sendo que o descumprimento pode acarretar novas medidas judiciais.

O MPF reforça que o combate ao tráfico de pessoas e à escravidão contemporânea permanece como prioridade institucional. Somente em 2026, por meio do Grupo Executivo de Combate à Escravidão Contemporânea e ao Tráfico de Pessoas (Gecec-Trap), o órgão acompanhou 20 operações em cidades-base como Belo Horizonte (MG), João Pessoa (PB) e Recife (PE), entre outras. Atualmente, centenas de inquéritos e ações penais tramitam na Justiça Federal para responsabilizar criminalmente os autores desses crimes.

Cibelle Ferreira
Cibelle Ferreira

Jornalista formada pela Universidade Federal de VIçosa. Coordenadora de redação na Lawletter.

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