Operação Antidotum investiga desvios milionários na Santa Casa
Lawletter

FRAUDE NO SETOR

Operação Antidotum investiga desvios milionários na Santa Casa de Campo Grande

Esquema envolvia contratos sem prestação de serviços, totalizando prejuízos milionários aos cofres da instituição hospitalar.

Por Redação Lawletter 11/09/2026 13:14
Agentes do MPMS durante o cumprimento de mandados da Operação Antidotum.
Equipes do Gaeco e Gecoc durante diligências da Operação Antidotum em Campo Grande.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, em 11 de setembro de 2026, a Operação Antidotum para desarticular um esquema de fraudes e desvios de recursos na Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. A ação, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), cumpre seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia, GO.

A investigação aponta que a entidade hospitalar foi alvo de contratos simulados, especificamente em um acordo para digitalização de prontuários com valor total de cinco milhões e quatrocentos mil reais. Apenas no primeiro ano de vigência, verificou-se o desvio de um milhão e quatrocentos mil reais por serviços que nunca foram executados. O impacto dessas práticas compromete diretamente a dignidade do atendimento oferecido aos pacientes e a sustentabilidade financeira de uma instituição essencial para a saúde pública.

Além dos desvios na matriz, as apurações detectaram irregularidades na Operadora Santa Casa Saúde. Empresas ligadas à diretoria, registradas em endereços fantasmas, receberam cerca de nove milhões e seiscentos mil reais em 2025, resultando em um prejuízo mínimo de três milhões e meio de reais à operadora. O Gecoc constatou que a documentação, os pagamentos e as prestações de contas eram ocultados sistematicamente do Conselho Fiscal da Santa Casa e da Controladoria-Geral do Estado.

A operação contou com o suporte do Batalhão de Choque da Polícia Militar e o acompanhamento da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS. Os mandados de prisão preventiva possuem natureza cautelar, e a continuidade das investigações visa apurar o montante integral do prejuízo causado à instituição. O nome da ação, Antidotum, simboliza a busca do Ministério Público pela neutralização de condutas nocivas que drenam recursos da assistência hospitalar.

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000