FRAUDE NO SETOR
Operação Antidotum investiga desvios milionários na Santa Casa de Campo Grande
Esquema envolvia contratos sem prestação de serviços, totalizando prejuízos milionários aos cofres da instituição hospitalar.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, em 11 de setembro de 2026, a Operação Antidotum para desarticular um esquema de fraudes e desvios de recursos na Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. A ação, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), cumpre seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia, GO.
A investigação aponta que a entidade hospitalar foi alvo de contratos simulados, especificamente em um acordo para digitalização de prontuários com valor total de cinco milhões e quatrocentos mil reais. Apenas no primeiro ano de vigência, verificou-se o desvio de um milhão e quatrocentos mil reais por serviços que nunca foram executados. O impacto dessas práticas compromete diretamente a dignidade do atendimento oferecido aos pacientes e a sustentabilidade financeira de uma instituição essencial para a saúde pública.
Além dos desvios na matriz, as apurações detectaram irregularidades na Operadora Santa Casa Saúde. Empresas ligadas à diretoria, registradas em endereços fantasmas, receberam cerca de nove milhões e seiscentos mil reais em 2025, resultando em um prejuízo mínimo de três milhões e meio de reais à operadora. O Gecoc constatou que a documentação, os pagamentos e as prestações de contas eram ocultados sistematicamente do Conselho Fiscal da Santa Casa e da Controladoria-Geral do Estado.
A operação contou com o suporte do Batalhão de Choque da Polícia Militar e o acompanhamento da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS. Os mandados de prisão preventiva possuem natureza cautelar, e a continuidade das investigações visa apurar o montante integral do prejuízo causado à instituição. O nome da ação, Antidotum, simboliza a busca do Ministério Público pela neutralização de condutas nocivas que drenam recursos da assistência hospitalar.
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