PF aponta repasses de R$ 500 mil de Vorcaro a ex-chefe de supervisão d
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CORRUPÇÃO NO SISTEMA

PF aponta repasses de R$ 500 mil de Vorcaro a ex-chefe de supervisão do BC

Relatório da Polícia Federal detalha pagamentos e viagens custeadas pelo dono do banco Master em troca de informações sigilosas da autarquia.

Por Redação Lawletter 11/09/2026 13:05
Fachada do prédio do banco Master, localizado no Itaim Bibi, em São Paulo.
Fachada do banco Master, em São Paulo (SP), foco das investigações sobre irregularidades financeiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

A Polícia Federal (PF) revelou um esquema de corrupção envolvendo o vazamento de informações privilegiadas do Departamento de Supervisão do Banco Central (BC), conforme relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, 11/09/2026. A investigação aponta que Belline Santana, ex-chefe do departamento, teria recebido pagamentos recorrentes de R$ 500 mil mensais de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do antigo banco Master.

A quebra de sigilo autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo, expõe a extensão da influência do setor privado sobre a fiscalização estatal. De acordo com o documento de 164 páginas, as trocas de favores incluíam desde altas cifras em espécie — chegando a R$ 760 mil em uma única transação — até o custeio de luxos, como viagens a Paris e aos Estados Unidos. As comunicações analisadas indicam que Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro, facilitava a logística dos repasses.

Além de Belline Santana, o servidor Paulo Sérgio Neves de Souza também foi citado por receber vantagens indevidas, incluindo uma viagem à Disney e a aquisição atípica de um imóvel rural. A PF sustenta que ambos atuaram diretamente para blindar os interesses de Vorcaro frente às investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias cometidas durante a gestão do antigo banco Master, liquidado pelo BC em novembro do ano passado.

O impacto dessa suposta cooperação na integridade do sistema financeiro é profundo, uma vez que servidores do alto escalão do BC teriam priorizado reuniões privadas e estratégias de defesa para um investigado em detrimento do sigilo exigido pelo cargo público. Atualmente afastados de suas funções, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza negam as acusações e alegam que custearam pessoalmente as viagens e benefícios mencionados.

Redação Lawletter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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