OAB pretende estabelece parâmetros para acordos com empresas de IA e
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Conferência mineira de advocacia

OAB pretende estabelecer parâmetros para acordos com empresas de IA e defende acesso de pequenos escritórios à tecnologia

Em entrevista à Lawletter, Felipe Sarmento explicou a atuação do Conselho Federal na regulação de conflitos envolvendo IA e destacou ferramentas gratuitas para a advocacia.

OAB pretende estabelecer parâmetros para acordos com empresas de IA e defende acesso de pequenos escritórios à tecnologia

Em entrevista à Lawletter durante a 19ª Conferência Mineira da Advocacia, realizada em Poços de Caldas (MG), o vice-presidente da OAB Nacional e conselheiro federal decano, Felipe Sarmento, afirmou que a incorporação da inteligência artificial à atividade jurídica é inevitável e exige uma resposta institucional que considere tanto a atuação das empresas de tecnologia quanto as necessidades dos profissionais.

Ao destacar que a inteligência artificial já é utilizada pelo Judiciário, Sarmento defendeu que a advocacia não pode ficar para trás no processo de transformação tecnológica.

“A Advocacia não pode ficar atrás disso”, afirmou o dirigente, ao comentar a necessidade de acompanhar as mudanças no sistema de Justiça.

Resolução estabelece critérios para acordos com empresas de IA

A medida mencionada pelo vice-presidente é a Resolução nº 16/2026, editada pela Diretoria do Conselho Federal da OAB e publicada em 13 de outubro. O ato estabelece parâmetros para a eventual celebração de termos de ajustamento de conduta (TACs) com empresas que desenvolvem, oferecem ou comercializam soluções de inteligência artificial voltadas à produção ou disponibilização de conteúdo jurídico.

Na prática, a resolução permite que a Diretoria avalie a possibilidade de uma solução consensual antes de decidir pelo ajuizamento de uma ação judicial. A celebração do acordo não é obrigatória e depende da análise das circunstâncias de cada caso.

Entre os critérios previstos estão o respeito às atividades privativas da advocacia, a supervisão humana sobre funcionalidades automatizadas, a preservação do sigilo profissional e a proteção de dados pessoais. O texto também prevê cuidados para evitar a captação irregular de clientes e a substituição indevida da atuação do advogado por sistemas de inteligência artificial.

A norma não representa uma autorização geral para o funcionamento dessas empresas nem equivale à certificação de suas plataformas pela OAB. Também não impede que a entidade adote medidas judiciais quando identificar situações que exijam sua intervenção.

Segundo Sarmento, o Conselho Federal acompanha o desenvolvimento dessas soluções e mantém diálogo com as seccionais da Ordem, que possuem autonomia para contratar serviços tecnológicos.

“Nós temos que compatibilizar. É uma realidade nos tribunais”

Felipe Sarmento, vice-presidente da OAB Nacional e conselheiro federal decano

Ferramentas gratuitas e inclusão de pequenos escritórios

Outro ponto destacado pelo vice-presidente foi a necessidade de garantir que o acesso à inteligência artificial não fique concentrado nas grandes estruturas jurídicas.

Sarmento afirmou que o Conselho Federal já disponibiliza, por meio de convênios nacionais, uma ferramenta gratuita de inteligência artificial para advogados e outra destinada à identificação de tentativas de manipulação de sistemas, como prompt injection e jailbreak.

Essas técnicas envolvem a inserção de comandos destinados a interferir no comportamento de ferramentas de inteligência artificial, inclusive por meio de instruções ocultas em documentos analisados pelos sistemas.

Uma das iniciativas oficialmente anunciadas pela OAB é o OpenDetector, lançado em julho de 2026 em parceria com a Forlex. A ferramenta gratuita permite verificar documentos jurídicos produzidos com apoio de IA, identificar inconsistências em referências legais e jurisprudenciais e realizar verificações relacionadas à segurança desses sistemas.

A iniciativa integra o Programa Nacional de Soluções Tecnológicas para a Advocacia, vinculado ao plano da OAB para ampliar a utilização responsável da inteligência artificial na profissão.

Para Sarmento, a transformação tecnológica exige atenção especial aos profissionais que atuam individualmente ou em estruturas menores. O dirigente defendeu que a modernização da advocacia não pode aprofundar as diferenças de acesso a recursos entre os escritórios.

Ele ressaltou a importância de incluir os jovens advogados e aqueles que exercem a profissão em estruturas mais restritas, evitando que os benefícios das novas tecnologias fiquem limitados aos grandes escritórios.

“Nós não podemos deixá-los fora dessa nova realidade”

Felipe Sarmento, vice-presidente da OAB Nacional e conselheiro federal decano

A posição apresentada pelo vice-presidente reúne duas frentes de atuação da OAB: a definição de parâmetros para empresas que oferecem soluções de IA jurídica e a ampliação do acesso da categoria a ferramentas tecnológicas.

Assista à entrevista com Felipe Sarmento na cobertura da Lawletter na 19ª Conferência Mineira da Advocacia.

Assista à entrevista com Felipe Sarmento no Instagram.
Redação Lawletter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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