Justiça condena hospital após técnica sofrer racismo em Praia Grande,
Lawletter

RACISMO NO TRABALHO

Justiça condena hospital após técnica de enfermagem sofrer racismo em Praia Grande, SP

Decisão reconhece rescisão indireta e fixa indenização de R$ 25 mil; unidades de saúde e Prefeitura de Praia Grande são responsabilizadas pela omissão.

Por Redação Lawletter 29/09/2026 07:23
Fachada do Hospital Irmã Dulce em Praia Grande, SP.
Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, SP, é alvo de condenação judicial por omissão diante de caso de racismo contra colaboradora.

A Justiça do Trabalho reconheceu, nesta terça-feira, 29/09/2026, a rescisão indireta do contrato de uma técnica de enfermagem vítima de racismo no Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, SP. A sentença condenou as gestoras da unidade ao pagamento de R$ 25 mil por danos morais, configurando a decisão como uma resposta à falha da instituição em garantir a dignidade e a segurança de sua colaboradora frente a ofensas proferidas por um paciente e seu familiar.

O episódio ocorreu em janeiro de 2026, durante o atendimento a um paciente idoso. Conforme registrado, o homem proferiu insultos racistas, ordenando que a profissional fosse retirada do quarto. A situação agravou-se quando o filho do paciente exigiu a substituição da técnica por uma funcionária branca, pedido prontamente atendido pela chefia da enfermagem, que ignorou os protocolos de proteção à dignidade humana.

O advogado Fellipe Clemente, que representa a profissional, apontou que, após as denúncias internas, a colaboradora não recebeu suporte adequado, sendo transferida de setor apenas dois meses depois do ocorrido. A trabalhadora permaneceu no posto até 23 de abril de 2026, quando formalizou a ação judicial.

O juiz Francisco Charles Florentino de Sousa, da 1ª Vara de Trabalho de Praia Grande, enfatizou que o hospital permitiu a criação de um ambiente de humilhação institucionalizada ao ceder ao preconceito de terceiros. A decisão estabelece que as instituições Biogesp e Lar de Mirian e Mãe Celit respondam pela indenização e verbas rescisórias, com a Prefeitura de Praia Grande como responsável subsidiária.

Embora a decisão marque uma vitória na esfera trabalhista, a defesa de Fellipe Clemente recorreu buscando a majoração do valor indenizatório e a correção de verbas. Paralelamente, a investigação criminal segue em curso para responsabilizar os autores das ofensas. Até o momento, as instituições Biogesp e Lar de Mirian não se manifestaram, enquanto a Prefeitura de Praia Grande reiterou seu repúdio ao racismo.

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000