FRAUDE E CRIMES
Justiça aceita denúncia contra delegados e influenciador por falso roubo em Roraima
Grupo de oito suspeitos, incluindo policiais do Amazonas e de Roraima, torna-se réu por roubo de R$ 800 mil e 30 kg de ouro sob farsa de operação oficial.
A Justiça de Roraima aceitou, nesta terça-feira, 22/09/2026, a denúncia do Ministério Público (MP) contra oito pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que utilizava a estrutura policial para cometer roubos de alto valor em Boa Vista. A decisão da juíza Daniela Schirato marca o início da ação penal, transformando os investigados em réus por crimes que incluem roubo majorado, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
O grupo, composto por agentes públicos e civis, teria planejado e executado uma falsa operação policial em 29 de março de 2026, no bairro Caçari, onde subtraíram 30 kg de ouro e R$ 800 mil. A conduta, que utilizou o aparato e a autoridade da Polícia para ludibriar as vítimas, representa uma afronta direta à segurança pública e à dignidade das instituições, expondo a sociedade a riscos severos causados por aqueles que deveriam protegê-la.
Entre os denunciados estão o delegado da Polícia Civil do Amazonas, John Allan Cunha Castilho, o influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, e dois investigadores. De acordo com o MP, a quadrilha realizou outras ações ilícitas, incluindo um roubo na Vila Samaúma, em janeiro de 2026, na cidade de Alto Alegre, onde utilizaram uma viatura oficial para realizar uma blitz falsa. A estrutura do grupo permitia a divisão clara de tarefas, com manobras financeiras sofisticadas para ocultar o patrimônio obtido ilegalmente.
Atualmente, sete dos oito réus encontram-se detidos sob mandado de prisão preventiva. Apenas Ariane Cabral Paes responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares. A juíza Daniela Schirato optou por não apreciar o pedido de afastamento cautelar das funções públicas dos agentes envolvidos no momento, dado que os policiais já se encontram presos. Caso a condenação seja definitiva, o Ministério Público exige a perda dos cargos, fundamentada no abuso de poder e na grave violação dos deveres funcionais.
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