ESPECIAL AGU
Frederico Amado diz que inteligência artificial é a saída para a demanda de massa do INSS
O procurador federal e professor detalhou como a inteligência artificial já é usada para dar conta do volume de ações do INSS, o maior litigante do país, sem substituir o procurador
O uso da inteligência artificial na advocacia previdenciária foi um dos pontos altos da terceira noite do evento "O Futuro da AGU", realizada em 24 de setembro. Procurador federal e professor, Frederico Amado atua com as demandas de massa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e defendeu que a tecnologia se tornou indispensável para lidar com o volume de processos da área, sem que isso signifique dispensar o trabalho humano. O evento é promovido pela Lawletter, pela Associação Nacional dos Advogados da União (ANAUNI) e pelo Revisão Ensino Jurídico.
O tamanho do problema
Amado lembrou que a Procuradoria-Geral Federal, à qual pertence, reúne a maior variedade de temas entre as carreiras da Advocacia-Geral da União, por atender autarquias e fundações, e que o previdenciário concentra boa parte desse volume. Segundo ele, o INSS recebe cerca de 15 milhões de requerimentos por ano e é o maior litigante do país, o que levou a área a ser reorganizada por especialização, com equipes voltadas a temas como benefício por incapacidade e aposentadoria por atividade em condições nocivas. Nesse cenário, disse, a automação deixou de ser opcional.
"A solução para demanda de massa é a inteligência artificial."
Frederico Amado
Ferramenta, não substituto
O procurador fez questão de delimitar o alcance da tecnologia. Para ele, a IA dá conta de organizar, resumir e acelerar o trabalho repetitivo, mas depende de material já existente e não cria a solução para uma controvérsia inédita. Ao contar que precisou redigir manualmente a atualização de um livro após uma mudança normativa recente, ilustrou onde a máquina ainda não chega.
"A IA otimiza aquilo que já existe. O que é extremamente novo, você não consegue na IA."
Frederico Amado
Amado atua hoje em um setor estratégico, dedicado à formulação de teses, e citou casos de grande impacto em que trabalhou, como a reversão da tese da revisão da vida toda. Na avaliação dele, quem lida com o contencioso de massa vai depender cada vez mais da inteligência artificial, enquanto a criação de teses novas e a interpretação de decisões recentes seguem como trabalho essencialmente humano. As três lives do evento seguem disponíveis para quem quiser assistir na íntegra no canal da Lawletter no YouTube.
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