INVESTIGAÇÃO SOBRE CORRUPÇÃO
Ex-dirigentes do BRB ignoraram alertas sobre o Banco Master, aponta PF
Mensagens trocadas por ex-gestores do BRB evidenciam insistência em operações arriscadas com o Banco Master, mesmo diante de sinais claros de insolvência.
A condução das operações financeiras entre o BRB e o Banco Master entre 2024 e 2025 é alvo de investigação da Polícia Federal, que aponta a negligência deliberada de ex-dirigentes da instituição pública. Conforme documentos obtidos pela corporação, a alta gestão manteve o avanço em negócios com o Banco Master mesmo após receber alertas internos sobre a falta de lastro, irregularidades documentais e risco de quebra da contraparte, conforme revelado nesta quarta-feira, 23/09/2026.
O relatório da Polícia Federal detalha trocas de mensagens ocorridas entre julho e novembro de 2025. O diálogo envolveu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o então diretor de finanças e controladoria, Dario Osvaldo Garcia Junior, e o advogado Fabiano Barbosa. Em um dos episódios, a urgência para finalizar contratos era justificada pela percepção de que o Banco Master enfrentava risco iminente de colapso financeiro.
A investigação caracteriza o processo de aquisição como uma sucessão de falhas de governança, expondo o BRB a uma crise institucional de grandes proporções. A Polícia Federal afirma que a conduta temerária dos envolvidos forçou adaptações contábeis para atender às vontades do Banco Master e de Paulo Henrique Costa, ignorando a ausência de liquidez e os graves riscos regulatórios envolvidos.
O impacto dessas decisões transcende o ambiente corporativo, afetando o patrimônio da instituição que possui o governo do DF como acionista majoritário. Atualmente, o governo do DF busca um aporte de R$ 6,6 bilhões para recompor as perdas da instituição, após o Banco Central barrar a tentativa de compra e revelar que parte das carteiras adquiridas era fraudulenta.
Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa contesta as conclusões da Polícia Federal. Os advogados sustentam que, ao tomar conhecimento de créditos gerados fora do ambiente do Banco Master, o ex-presidente interrompeu as aquisições e adotou medidas para obter garantias, argumentando que a maioria dos ativos foi substituída por outros de maior solidez.
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