Esquema na ABE teria desviado R$ 420 mil de verba federal
Lawletter

FRAUDE EM ONG

Esquema familiar na ABE teria desviado R$ 420 mil de verba federal

Investigação aponta que verbas para projetos culturais foram direcionadas à papelaria de familiar de pastor; 12 pessoas são alvo da Polícia Federal.

Por Redação Lawletter 21/09/2026 11:00
Investigação sobre a Associação Beneficente Evangélica e possíveis desvios de recursos públicos.
Fachada da associação e locais vinculados à investigação da PF no Distrito Federal.

A Polícia Federal (PF) investiga o desvio de R$ 420 mil em verbas federais repassadas à Associação Beneficente Evangélica (ABE), conforme apurado nesta segunda-feira, 21/09/2026. A instituição, que recebeu R$ 850 mil para projetos de capacitação e cultura, é suspeita de ter direcionado metade dos recursos para a papelaria Bras Gel, sediada em Taguatinga Sul (DF), sob a fachada de um contrato para ensino de música.

O impacto da fraude atinge diretamente a sociedade, uma vez que o montante, que deveria viabilizar o desenvolvimento de jovens e adolescentes, teria sido absorvido por uma rede de interesses familiares. A empresa beneficiada pertencia a Poliana Rodrigues Lopes Xavier, nora de Manoel Pereira Xavier, pastor da Assembleia de Deus apontado como o gestor oculto da entidade.

O inquérito, iniciado em maio de 2025 após uma denúncia anônima, detalha uma estrutura complexa de nepotismo e o uso de empresas de fachada. Além da nora do pastor, a investigação coloca sob suspeita outros membros da família e aliados, incluindo o filho do religioso, Jesimiel Pereira Xavier, e o presidente formal da associação, Willthimberg Bittencourt da Silva. A prática não apenas subtrai recursos públicos essenciais, mas compromete a credibilidade de instituições que deveriam promover o bem-estar social.

A situação dos investigados ainda não é definitiva, aguardando o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF) e o posterior julgamento pela Justiça Federal de Brasília. Paralelamente, órgãos como a Secretaria de Educação do DF, o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informaram que acompanham a execução dos convênios e revisam as prestações de contas, sem terem sido, até o momento, notificados formalmente pela PF para prestar esclarecimentos adicionais.

Redação Lawletter
Redação Lawletter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000