revolução TRIBUTÁRIA
Split payment pode pressionar capital de giro das empresas, alerta Sandro Armando
Na abertura da Revolução Tributária, advogado destacou impacto do recolhimento sobre o caixa; testes da plataforma começam em 15 de outubro.
Empresas precisam revisar seu capital de giro antes da implementação do split payment, mecanismo de recolhimento de tributos previsto na reforma tributária. O alerta foi feito pelo advogado Sandro Armando na abertura da Revolução Tributária, evento da Lawletter iniciado em 5 de outubro, em encontro conduzido por Henrique Armando.
Na avaliação do palestrante, a mudança pode alterar o dinheiro disponível para pagar fornecedores, salários e outras despesas. Negócios que utilizam temporariamente os valores destinados aos tributos precisarão calcular como financiar a operação quando essa disponibilidade mudar.
“Meu caixa, como é que eu vou trabalhar esse fluxo de caixa?”, questionou Sandro ao apresentar os pontos que empresários e gestores devem examinar durante a transição.
O que muda no recebimento
No split payment, a parcela destinada ao recolhimento tributário é separada na liquidação financeira do pagamento. O mecanismo alcança o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O cálculo deve observar as regras aplicáveis: no procedimento padrão, há verificação dos débitos da operação que já foram extintos.
O efeito sobre cada empresa dependerá de seu ciclo financeiro. Prazos concedidos aos clientes, vencimentos de fornecedores, despesas fixas e créditos tributários precisam ser analisados em conjunto. Uma alteração no momento do recolhimento pode exigir mais recursos para sustentar o mesmo volume de atividade.
Durante a exposição, Sandro apontou alternativas que precisam ser avaliadas conforme a situação do negócio, como formação de reservas, renegociação comercial e financiamento. A escolha exige comparar o custo dessas medidas com a necessidade projetada de caixa.
Testes começam em outubro
A Receita Federal anunciou para 15 de outubro de 2026 o início dos testes de integração entre prestadores de serviços de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment. Essa etapa ocorrerá em ambiente controlado, sem efeitos sobre operações reais ou consumidores.
A implementação será gradual. O regulamento da CBS prevê pelo menos duas etapas e admite que o início seja facultativo, nas condições definidas em ato conjunto da Receita e do Comitê Gestor do IBS.
Para Sandro, a preparação envolve aproximar as áreas financeira, contábil e jurídica. A análise do imposto precisa chegar ao planejamento de pagamentos e recebimentos para que a empresa identifique antecipadamente eventuais necessidades de recursos.
Os impactos da reforma sobre caixa e gestão estão em debate na Revolução Tributária, evento online da Lawletter que segue até 9 de outubro. Inscreva-se para acompanhar os próximos encontros.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
Comentários (0)
Deixe seu comentário