Empreendedoras batem recorde: falta a solidez jurídica
Lawletter

EMPREENDEDORISMO

Empreendedorismo feminino em alta: por que a solidez jurídica é o próximo passo

As empreendedoras já são 10,4 milhões no Brasil, alta de 27% na década. Para a advogada Larissa Alves, o próximo passo é dar a esses negócios a solidez jurídica que garante longevidade.

Por Larissa Ferreira Alves 04/08/2026 12:01

O empreendedorismo feminino brasileiro alcançou um marco histórico. Segundo levantamento do Sebrae, o número de mulheres à frente de negócios cresceu 27% na última década, atingindo mais de 10,4 milhões de empreendedoras, o maior patamar da série histórica. Mais do que um dado estatístico, esse crescimento revela uma transformação importante na economia e na forma como as mulheres ocupam espaços de liderança e geração de riqueza, impulsionando o desenvolvimento nacional.

Por trás desses números, desvelam-se histórias de coragem, reinvenção e notável capacidade de adaptação. Muitas mulheres iniciam seus negócios motivadas pelo desejo de independência financeira, pela necessidade de conciliar carreira e família ou pela identificação de oportunidades de mercado. Cada empresa criada representa não apenas uma fonte de renda, mas também inovação, geração de empregos e fomento ao desenvolvimento econômico e social.

Entretanto, celebrar esse avanço não significa ignorar os desafios que ainda persistem. O acesso ao crédito, a dificuldade de captação de investimentos, a sobrecarga decorrente da dupla jornada e a desigualdade de oportunidades continuam sendo obstáculos enfrentados diariamente por milhares de empreendedoras. Nesse contexto complexo, a solidez jurídica emerge como um pilar fundamental para mitigar riscos e pavimentar o caminho para a perenidade dos negócios. O próprio estudo do Sebrae aponta que o aumento da escolaridade feminina contribuiu significativamente para esse crescimento, demonstrando que conhecimento e qualificação seguem sendo ferramentas essenciais para fortalecer os negócios liderados por mulheres.

Sob a perspectiva jurídica, este cenário merece atenção redobrada. Empreender exige muito mais do que uma boa ideia. A sustentabilidade de um negócio depende de uma estrutura sólida, construída sobre contratos bem elaborados, um planejamento societário estratégico, gestão de riscos eficaz, proteção da marca, regularidade trabalhista e segurança nas relações comerciais.

É comum que empresários concentrem seus esforços no crescimento das vendas e deixem a organização jurídica para um segundo momento. Contudo, prevenir conflitos por meio de contratos claros e estruturar corretamente a empresa desde o início, por exemplo, com um planejamento societário adequado, costuma ser muito mais eficiente do que solucionar litígios complexos e custosos quando eles já se instalaram.

O fortalecimento do empreendedorismo feminino reforça uma mensagem crucial de que investir em mulheres empreendedoras é investir no desenvolvimento econômico e social do país. Quanto mais preparado for o ambiente de negócios para acolher e fortalecer essas empresas, maiores serão os reflexos positivos na geração de emprego, inovação e crescimento sustentável.

Os números mostram que as mulheres estão empreendendo cada vez mais. Agora, o próximo passo essencial é garantir que esses negócios cresçam com segurança, estabilidade e longevidade.

Larissa Ferreira Alves
Larissa Ferreira Alves Articulista

Advogada especialista em Direito Empresarial, com atuação em recuperação de crédito, contratos e estruturação jurídica de negócios

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000