Virtudes de bom advogado podem travar inovação
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Virtudes de um bom advogado podem travar inovação no escritório, diz Taís Flores

Professora e vice-presidente do Ceisc afirmou que rigor, prudência, responsabilidade, zelo e cautela são essenciais à advocacia, mas podem paralisar projetos quando aplicados em excesso à inovação.

Virtudes de um bom advogado podem travar inovação no escritório, diz Taís Flores

Características tradicionalmente associadas a um bom advogado podem se transformar em obstáculos quando são transportadas, sem adaptação, para projetos de inovação. A avaliação foi apresentada por Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc, durante o Além do Direito, evento de dois anos da Lawletter.

Ao falar sobre implantação de inteligência artificial e novas tecnologias no meio jurídico, Taís afirmou que os principais erros nem sempre decorrem de desconhecimento ou despreparo.

“Os erros de inovação no Direito não são erros por ignorância. Eles são, muitas vezes, erros por excesso de virtude.”

Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc

Segundo ela, rigor, prudência, responsabilidade e zelo são características fundamentais à atividade jurídica, mas podem bloquear a execução de projetos quando levadas ao extremo.

“As mesmas quatro maiores virtudes de um bom advogado, que fazem de você o melhor advogado possível, elas vão trancar o teu processo de inovação no teu escritório, no teu local de trabalho”

Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc

Esperar tudo ficar perfeito

Taís apresentou a própria experiência como exemplo.

Ela contou que desenhou a arquitetura de uma ferramenta jurídica de inteligência artificial e manteve o projeto durante meses em uma pasta no computador porque pretendia entregá-lo apenas quando estivesse completo.

“O meu maior erro foi ter feito aquela pasta no meu computador e deixado ela tantos e tantos meses ali parada, esperando tudo ficar perfeito”

Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc

A intenção era reunir diversas funcionalidades antes de disponibilizar o projeto, evitando que os advogados precisassem recorrer a diferentes ferramentas.

Foi justamente essa busca pela completude, porém, que Taís identifica hoje como um erro.

“Foi aí realmente que eu perdi tempo”, afirmou.

Rigor jurídico aplicado no lugar errado

A primeira virtude analisada por Taís foi o rigor.

Segundo ela, ao desenvolver uma inovação, esperou que a solução nascesse praticamente completa, em vez de iniciar com um produto menor e aprimorá-lo gradualmente.

“Esse é o primeiro erro, o meu erro: ser excessivamente rigorosa e esperar que algo seja 100% completo”

Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc

Na visão da professora, a lógica da inovação exige outra dinâmica.

“Na área de inovação a gente começa com algo menor e vai evoluindo, porque inovar é não parar jamais de melhorar, de crescer”, disse.

Prudência não pode virar paralisia

O mesmo raciocínio foi aplicado à prudência.

Taís ressaltou que a atividade jurídica envolve patrimônio, liberdade, dados sigilosos e outros interesses relevantes dos clientes e, portanto, exige cautela.

A crítica está no momento em que esse cuidado impede qualquer tentativa de avançar.

“Eu tenho que ter prudência, tenho que ter cautela, sim, mas não aquela que paralisa e impede que o seu projeto vá adiante”

Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc

Ao final, ela acrescentou a cautela como uma quinta virtude que pode se tornar obstáculo à inovação.

“Rigor, prudência, responsabilidade, zelo e cautela fazem da gente excelentes operadores jurídicos, mas elas também, em excesso, podem nos tornar péssimos inovadores”

Taís Flores, professora e vice-presidente do Ceisc

Para conferir a fala completa de Taís Flores no Evento Além do Direito, adquira a gravação completa do evento

Redação LawLetter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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