Além do direito
Bom advogado não necessariamente é bom gestor de escritório, diz Henrique Armando
Co-fundador da Lawletter afirmou que domínio técnico do Direito não prepara automaticamente o profissional para lidar com precificação, finanças, contratação, processos e administração do escritório.
Ser tecnicamente competente no Direito não significa necessariamente saber administrar um escritório de advocacia. A distinção foi defendida por Henrique Armando, co-fundador da Lawletter, durante o Além do Direito, evento de dois anos da empresa.
Segundo Henrique, a formação jurídica prepara o profissional para analisar causas, defender os interesses dos clientes e dominar aspectos técnicos da profissão, mas não necessariamente para tomar decisões relacionadas à administração de um negócio.
“O bom advogado não necessariamente tem o melhor escritório”
Henrique Armando, co-fundador da Lawletter
Técnica não resolve toda a gestão
Henrique citou uma série de decisões que ultrapassam o conhecimento jurídico e passam a fazer parte da rotina de quem administra um escritório.
Entre elas estão entender o custo fixo da operação, avaliar se os honorários estão adequados, definir formas de remuneração, decidir quando contratar profissionais e estruturar processos internos.
Segundo ele, é possível encontrar profissionais com elevado domínio jurídico que não possuem a mesma preparação para essas atividades.
“É muito diferente quando você olha uma pessoa que você vê que é um bom advogado. Não necessariamente ele é o melhor gestor de escritório”
Henrique Armando, co-fundador da Lawletter
Faculdade prepara o técnico
Parte dessa dificuldade, na avaliação de Henrique, está no próprio desenho da formação jurídica.
“A faculdade forma tecnicamente bem, você sai de lá com todo conhecimento jurídico, mas ela não te forma como um gestor, como um administrador do teu negócio”
Henrique Armando, co-fundador da Lawletter
Ele citou dúvidas que surgem logo após a graduação: qual área seguir, como conseguir o primeiro cliente, de que forma estruturar o escritório e como administrar a operação.
Henrique ressaltou, contudo, que não atribui essa lacuna exclusivamente às faculdades, que precisam cumprir exigências próprias da formação jurídica.
Para ele, cabe ao profissional identificar posteriormente quais outras competências precisa desenvolver para atuar no mercado.
Técnico, gestor e empreendedor
Durante a palestra, Henrique dividiu a atuação do advogado que possui um escritório em três funções.
A primeira é a técnica, relacionada diretamente à atividade jurídica.
A segunda é a de gestor, responsável por processos, finanças, pessoas e funcionamento da operação.
A terceira é a de empreendedor, que observa o escritório de uma perspectiva mais ampla e toma decisões sobre posicionamento, público, especialização e diferenciação.
“Tudo buga, porque nos falta o item 2 e o item 3 de gestor e de empreendedor”, afirmou ao comentar as dificuldades que surgem quando o profissional precisa administrar aquilo que acontece depois da contratação do cliente.
Para Henrique, desenvolver essas três dimensões é necessário para que o escritório não dependa apenas da capacidade técnica individual de seu fundador.
Para conferir a fala completa de Henrique no Evento Além do Direito, adquira a gravação completa do evento
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