Justiça aceita denúncia contra esquema de garimpo na Terra Indígena Ya
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CRIME AMBIENTAL ORGANIZADO

Justiça Federal em Roraima aceita denúncia contra esquema de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami

MPF pede R$ 143 milhões em indenizações por exploração de cassiterita e ouro. Operação Forja de Hefesto aponta uso de cooperativa de fachada e logística aérea clandestina.

Por Redação LawLetter 31/08/2026 14:35
Imagem aérea de áreas desmatadas e contaminadas por garimpo ilegal na Amazônia.
Áreas de garimpo ilegal degradam o ecossistema e impactam diretamente a subsistência do povo Yanomami.

A Justiça Federal em Roraima tornou réus seis indivíduos e quatro empresas acusados de estruturar um complexo esquema de exploração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami. A decisão, que ocorreu nesta segunda-feira, 31/08/2026, marca um avanço decisivo nas investigações da Operação Forja de Hefesto, conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O impacto desta atividade ilícita transcende o dano econômico, devastando ecossistemas vitais e ameaçando a integridade física e cultural do povo Yanomami. Diante da gravidade, o MPF solicitou uma indenização mínima de R$ 43 milhões por danos materiais causados à União e R$ 100 milhões por danos morais coletivos contra a comunidade indígena, além do confisco do maquinário e dos lucros obtidos com o crime.

As investigações detalham como o grupo, operando na região de Pupunha, bacia do Rio Mucajaí, utilizava a Coopertin (Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil) para mascarar a origem do minério. Notas fiscais eram emitidas simulando produção em áreas autorizadas, enquanto o material era extraído clandestinamente de terras protegidas.

A operação contava com uma divisão de tarefas rigorosa, incluindo núcleos de extração, logística aérea e comercialização. O transporte, vital para levar combustível e mercúrio aos garimpos, era realizado por empresas como a Tarp Táxi Aéreo e Cataratas Poços Artesianos. O minério, após processado, era enviado à White Solder Metalurgia e Mineração para ser fundido e, posteriormente, inserido no mercado global com certificações internacionais.

Os denunciados respondem por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro e atentado contra a segurança do transporte aéreo. Após a notificação da decisão judicial nesta segunda-feira, 31/08/2026, os envolvidos possuem o prazo de dez dias para apresentar suas defesas preliminares.

Redação LawLetter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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