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TRTs preparam novos concursos, mas aprovados ainda esperam nomeação
TRT-4 e TRT-8 concentram as movimentações mais avançadas. Para Breno Lenza, o cenário de poucas nomeações aumenta o peso da classificação, das provas discursivas e do estudo de jurisprudência.
O segundo semestre de 2026 começa com novos concursos para servidores entrando no radar de diferentes Tribunais Regionais do Trabalho. No Rio Grande do Sul, o TRT da 4ª Região já tem processo administrativo em andamento para um novo certame. No Pará e no Amapá, o TRT da 8ª Região avançou nas etapas que antecedem a contratação da banca organizadora. Em Mato Grosso, o TRT da 23ª Região também instituiu um grupo de trabalho para cuidar da realização de um concurso.
As movimentações sinalizam a retomada de um ciclo de provas na Justiça do Trabalho, depois de uma sequência de concursos realizados entre 2022 e 2025. Mas, para quem acompanha a área, a chegada de novos editais não resolve sozinha o principal ponto de tensão do momento: ainda há candidatos aprovados em concursos vigentes esperando nomeação.
A Lawletter conversou com Breno Lenza Cardoso, fundador do MEQ Concursos, professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho e autor de obras jurídicas. Na avaliação dele, o momento exige atenção em duas frentes. De um lado, quem já estuda precisa se preparar para editais que podem avançar rapidamente. De outro, a Justiça do Trabalho precisa aproveitar as listas existentes e nomear quem já percorreu todas as etapas do concurso.
TRT-4 e TRT-8 estão mais próximos
Entre os concursos em preparação, Breno considera o TRT da 4ª Região o mais avançado. O tribunal autorizou o novo concurso e formou a comissão em 2025. Depois de um período de menor movimentação, o processo administrativo voltou a avançar.
Segundo o professor, informações divulgadas por pessoas que acompanham os concursos dos TRTs indicam que a Fundação Carlos Chagas pode estar próxima de ser contratada. A banca ainda não foi anunciada oficialmente, mas Breno avalia que a definição é iminente.
Ele lembra que, no concurso de 2022, houve um intervalo de poucos dias entre a divulgação da FCC e a publicação do edital. Por isso, considera que o TRT-4 já está em condições de avançar para essas etapas.
Breno reforça que a realização de novas provas não deve substituir a nomeação de quem já foi aprovado nos últimos anos. Segundo ele, os provimentos dependem de autorizações do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, o CSJT, além das condições orçamentárias de cada tribunal.
O TRT da 8ª Região, responsável pelo Pará e pelo Amapá, também avançou nas últimas semanas. Breno relata que o processo administrativo já recebeu o estudo técnico preliminar e, mais recentemente, o termo de referência, documentos necessários para a contratação da banca.
A organizadora pode ser o Cebraspe, embora essa definição ainda não tenha sido oficializada. Também não está claro se haverá licitação ou contratação direta.
Breno chama atenção ainda para a discussão sobre a possível criação do TRT da 25ª Região, que passaria a atender o Amapá. Caso a separação avance e venha acompanhada de orçamento e autorização para provimentos, candidatos aprovados no concurso do TRT-8 poderiam encontrar um espaço maior para aproveitamento.
Por enquanto, porém, esse cenário depende de decisões institucionais e legislativas que ainda não foram concluídas.
Novas provas não apagam as listas atuais
A preparação de novos concursos ocorre enquanto candidatos aprovados nos últimos certames continuam aguardando convocação. Para Breno, abrir outra rodada de provas sem avançar nas nomeações cria uma situação difícil para quem já conquistou uma posição válida nas listas.
"É muito importante termos novas provas, mas também é muito importante termos novos servidores nomeados. Há muitas pessoas aprovadas, e a Justiça do Trabalho está precisando delas."
Breno Lenza Cardoso - Fundador do MEQ Concursos e professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho
A aprovação dentro do número de vagas previstas no edital gera direito subjetivo à nomeação, mas grande parte dos concursos dos TRTs trabalha também com cadastro de reserva. Nesse grupo, estar aprovado não significa necessariamente que a convocação ocorrerá. Ela depende da classificação, do surgimento de vagas, da necessidade administrativa e das autorizações orçamentárias exigidas para o provimento.
É por isso que Breno insiste na diferença entre entrar na lista e chegar a uma posição com possibilidade real de nomeação. Em um período no qual as convocações perderam ritmo, preparar-se apenas para atingir a nota mínima pode deixar de ser uma estratégia suficiente.
A discursiva pode separar aprovação de nomeação
A redução nas nomeações também muda o peso de cada etapa da prova. Segundo Breno, muitos candidatos concentram o estudo nas questões objetivas e deixam o treino discursivo para depois da publicação do edital. O problema é que redações, estudos de caso e respostas jurídicas podem produzir uma diferença grande na classificação final.
"As questões objetivas colocam o candidato na lista de aprovados. Na lista de nomeados, o que pode fazer a diferença é a resposta discursiva."
Breno Lenza Cardoso - Fundador do MEQ Concursos e professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho
O formato varia de acordo com o tribunal e com a banca. Alguns concursos cobram redação de tema geral, enquanto outros exigem estudo de caso ou uma resposta jurídica ligada às atribuições do cargo. Antes do edital, não é possível saber qual modelo será adotado. Breno recomenda, por isso, que o candidato não espere a definição para começar.
O treino envolve mais do que conhecer o conteúdo. É necessário aprender a organizar o raciocínio dentro do espaço disponível, identificar o que a banca efetivamente perguntou, construir uma resposta jurídica direta e administrar o tempo. Quem deixa esse aprendizado para as semanas finais precisa desenvolver técnica enquanto também revisa todo o programa da prova objetiva.
A FCC deixou de cobrar apenas o texto da lei
A Fundação Carlos Chagas continua sendo a banca mais frequente nos concursos dos TRTs, ao lado do Cebraspe e da Fundação Getulio Vargas. Mas o perfil das questões da FCC mudou nos últimos anos.
Segundo Breno, a legislação continua no centro das cobranças, mas deixou de aparecer apenas em perguntas que reproduzem quase literalmente o texto legal. As provas mais recentes passaram a apresentar mais situações concretas e a exigir que o candidato aplique a norma ao problema descrito.
"Antigamente, era quase um 'Ctrl+C, Ctrl+V'. Hoje, a legislação continua sendo a principal fonte, mas aparece em questões que exigem mais raciocínio jurídico."
Breno Lenza Cardoso - Fundador do MEQ Concursos e professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho
A jurisprudência também ganhou espaço. Em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, súmulas e orientações jurisprudenciais do Tribunal Superior do Trabalho já faziam parte do repertório tradicional. Agora, a expectativa é de uma presença maior de decisões do Supremo Tribunal Federal e dos precedentes vinculantes do próprio TST.
Breno considera provável que as próximas provas comecem a explorar as teses vinculantes trabalhistas de forma mais intensa. A avaliação ainda precisa ser confirmada quando os editais e as provas forem publicados, mas acompanha uma mudança concreta na própria estrutura da jurisprudência trabalhista, que passou a reunir mais entendimentos de observância obrigatória.
Nesse cenário, limitar a preparação à leitura do código pode até permitir um resultado competitivo em parte da prova, mas tende a deixar lacunas justamente nas questões que separam os primeiros colocados do restante da lista.
Para quem começa agora, o edital mais próximo pode não ser o melhor alvo
A proximidade de novos editais costuma produzir promessas de preparação acelerada, com cursos que anunciam aprovação em 60 ou 90 dias. Breno faz uma ressalva direta a esse discurso.
Para o candidato iniciante, o primeiro passo é construir uma base que permita compreender as principais disciplinas e avançar de forma consistente. A banca importa, mas não deve dominar toda a estratégia antes que esse repertório exista.
"Para quem está começando, essa ideia de ficar pronto em 60 ou 90 dias não existe. É preciso formar uma base e investir tempo na preparação."
Breno Lenza Cardoso - Fundador do MEQ Concursos e professor de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho
Nesse primeiro momento, ele recomenda usar a FCC como referência por ser a organizadora mais recorrente nos TRTs, sem transformar o estudo em uma preparação estreita demais. Se o edital vier com Cebraspe ou FGV, a adaptação pode ser feita depois, com atenção ao formato das questões, ao sistema de correção e ao perfil de cobrança.
Para quem já está em nível intermediário ou avançado, o movimento é diferente. A preparação entra numa fase de revisão, resolução aprofundada de questões, simulados em condições próximas às da prova e identificação dos pontos que ainda provocam erros. É também nesse grupo que o treino discursivo pode produzir um ganho mais imediato de classificação.
Os concursos voltam a se movimentar, mas o cenário ainda combina expectativa e cautela. Há tribunais preparando novas seleções, bancas próximas de contratação e sinais de que o período de menor atividade pode estar chegando ao fim. Isso não significa, por si só, edital imediato, muito menos nomeação garantida.
Para quem já estuda, a mudança está no nível de preparação exigido. Para quem começa, está na necessidade de construir uma base sem confiar em atalhos. E, para os aprovados que ainda aguardam, a próxima rodada de concursos só estará completa quando vier acompanhada também de novas nomeações.
Workshop gratuito sobre preparação para TRTs
No dia 15 de julho, Breno Lenza conduz o workshop gratuito "5 Pilares para Aprovação em TRTs", pelo MEQ Concursos. A proposta é mostrar como organizar a rotina de estudo a partir dos cinco elementos que ele considera a base de uma preparação eficiente.
Quem se inscreve libera o material de Teses Vinculantes do TST, tema que tende a ganhar peso nas próximas provas, além de acesso a um grupo exclusivo com o professor e outros conteúdos gratuitos. Clique aqui para se inscrever.
Jornalista formada pela Universidade Federal de VIçosa. Coordenadora de redação na Lawletter.
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