Faturamento é “número de vaidade” na advocacia
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ALÉM DO DIREITO 2026

Faturamento e número de colaboradores são “números de vaidade”, diz fundador do Ceisc

Para Nidal Ahmad, escritórios devem medir sucesso pela margem de lucro e buscar automação antes de aumentar a estrutura de pessoal.

Faturamento e número de colaboradores são “números de vaidade”, diz fundador do Ceisc

Faturar mais ou aumentar o número de profissionais de um escritório não significa necessariamente que a advocacia esteja se tornando mais rentável. Para Nidal Ahmad, fundador do Ceisc, o indicador que deve orientar a gestão é a margem de lucro deixada pela operação.

A avaliação foi apresentada durante o Além do Direito, evento de dois anos da Lawletter. Advogado, professor e empreendedor, Nidal construiu sua trajetória principalmente no ensino jurídico. É fundador do Ceisc, professor de Direito Penal e Processo Penal e atuou por cerca de duas décadas como assessor jurídico do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Em 2026, ele também lançou o livro “Advogado Empreendedor: Do Diploma ao Negócio”, no qual aborda a advocacia sob uma perspectiva de negócio e as mudanças provocadas pela inteligência artificial.

Crescer não significa aumentar a estrutura

Na palestra, Nidal defendeu que escritórios avaliem primeiro quais atividades podem ser automatizadas antes de contratar novos profissionais.

A lógica apresentada parte de um problema recorrente no crescimento da advocacia: à medida que aumenta a carteira de clientes, também crescem as demandas operacionais e surge a necessidade de ampliar a equipe. Para ele, no entanto, contratar não deve ser a resposta automática.

Processos internos, gestão financeira, controle de receitas e despesas e outras rotinas administrativas estão entre as atividades que, segundo Nidal, podem passar por automação. A inteligência artificial entra nesse modelo como instrumento para reduzir tarefas operacionais e liberar tempo para atividades que dependem diretamente do profissional.

“Número de colaboradores e o faturamento são números de vaidade. Número de colaboradores: ‘eu tenho tantos colaboradores’. É vaidade. ‘Eu tenho tanto de faturamento’. É vaidade. O que importa, meu parceiro, ao final, é o resultado. É a margem. A margem de lucro é o que importa. Faturar não quer dizer sucesso. Faturar não quer dizer que você está ganhando.”

Nidal Ahmad, fundador do Ceisc

Um escritório pode faturar mais e ganhar menos

Nidal utilizou exemplos numéricos para diferenciar faturamento de resultado.

Um escritório que registra receita de R$ 500 mil, mas possui R$ 450 mil em despesas, termina o período com resultado de R$ 50 mil. Na comparação apresentada por ele, uma operação que fature R$ 200 mil e gaste R$ 100 mil seria economicamente mais eficiente, apesar de apresentar uma receita bruta significativamente menor.

A preocupação, portanto, deveria estar na preservação da margem, e não na utilização do faturamento como demonstração isolada de sucesso.

IA também deve chegar à gestão

A utilização da inteligência artificial defendida por Nidal não está limitada à elaboração de documentos ou à atividade jurídica propriamente dita.

Ele sustentou que a tecnologia também deve chegar às atividades-meio dos escritórios, especialmente aquelas relacionadas à gestão. A automação, nessa perspectiva, funciona como ferramenta para otimizar tempo e controlar custos antes da expansão da estrutura profissional.

A tese se conecta à distinção feita durante a palestra entre o advogado autônomo e aquele que desenvolve uma mentalidade empreendedora. Nidal descreveu o primeiro como um profissional limitado pelas próprias horas de trabalho, enquanto o segundo busca estruturar processos e ativos que diminuam a dependência direta de seu tempo para produzir receita.

Da técnica à gestão do negócio

Essa mudança de mentalidade é um dos pontos centrais da atuação recente de Nidal.

Durante anos ligado à preparação de estudantes para o Exame da OAB e ao ensino de Direito Penal, ele afirmou ter percebido uma dificuldade recorrente entre profissionais recém-aprovados: depois da formação técnica, muitos não sabem como iniciar a advocacia, atrair clientes, definir um posicionamento e transformar conhecimento jurídico em uma atividade sustentável.

A resposta apresentada passa por tratar a carreira também sob a perspectiva de gestão. Na visão de Nidal, prospectar, atrair, converter e vender serviços são competências que passam a integrar a atividade profissional sem substituir a formação jurídica.

Com a expansão do escritório, a mesma lógica exige planejamento sobre custos, estrutura, tecnologia e margem. Mais do que parecer grande, a prioridade, segundo ele, deve ser construir uma operação que efetivamente produza resultado.

Redação LawLetter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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