Operação Faenerator: MPMA mira esquema de R$ 621 milhões em Imperatriz
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COMBATE À CORRUPÇÃO

Operação Faenerator mira esquema de R$ 621 milhões em Imperatriz

O Ministério Público do Estado do Maranhão deflagrou ação contra organização suspeita de agiotagem e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas.

Por Redação Lawletter 15/09/2026 13:01
Equipes do Gaeco e Polícia Civil realizam apreensões em operação contra desvios de verbas públicas.
Valores e bens apreendidos pelo Gaeco durante a Operação Faenerator.

O Ministério Público do Estado do Maranhão, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, a Operação Faenerator. A medida judicial, determinada pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados, visa desmantelar um complexo esquema de agiotagem, lavagem de dinheiro e desvios de verbas públicas que soma mais de R$ 621 milhões, impactando diretamente a integridade dos investimentos em infraestrutura na região de Imperatriz.

A ofensiva cumpre mandados de busca e apreensão em Imperatriz, João Lisboa e Buritirana, abrangendo residências e sedes de empresas. A Justiça autorizou o bloqueio de ativos financeiros, imóveis, aeronaves e embarcações, visando a descapitalização da estrutura criminosa que operava, segundo as investigações, pelo menos desde 2017.

A Operação Faenerator é um desdobramento das operações Regalo, Timoneiro e Pavimentum. A ação conta com o suporte da Superintendência Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil (Seic), da Polícia Militar e da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (Caei) do MPMA. As provas indicam que empresários utilizavam o esquema para obter capital de giro imediato, com juros abusivos e sem garantias formais, comprometendo a transparência da Administração Pública.

Entre as irregularidades constatadas, destaca-se a incompatibilidade patrimonial de empresas investigadas. Uma clínica odontológica, por exemplo, apresentou movimentação financeira de R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024, apesar de declarar faturamento mensal modesto. O uso de contas de passagem, PIX e depósitos fracionados, além da compra de bens de luxo, servia para ocultar a origem ilícita dos valores que deveriam financiar obras sob tutela da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra).

O nome da operação, derivado do latim para "agiota", sintetiza a prática de usurpação que desviou recursos fundamentais para o desenvolvimento local. O bloqueio de R$ 621.455.220,00 é uma medida acautelatória definitiva, sujeita apenas aos recursos previstos em lei, visando o ressarcimento aos cofres públicos e a interrupção da lavagem de ativos que drenava recursos essenciais da sociedade.

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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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