Documentação pública sobre Banco Master levanta questões.
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CASO MASTER

Documentação pública sobre André Kruschewsky levanta questões sobre concentração de recursos e relações institucionais

Diretor jurídico do Banco Master entre 2023 e 2024, Kruschewsky esteve envolvido em estruturas e relações institucionais que passaram a ser analisadas após investigações envolvendo a instituição

Documentação pública sobre André Kruschewsky levanta questões sobre concentração de recursos e relações institucionais

A Lawletter analisou documentos públicos divulgados pela Polícia Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central e materiais relacionados à liquidação do Banco Master para reunir informações sobre a atuação de André Kruschewsky durante o período em que ocupou o cargo de diretor jurídico da instituição. Entre março de 2023 e agosto de 2024, Kruschewsky participou da estrutura jurídica do banco em um período que antecedeu investigações sobre operações financeiras da instituição. Os documentos analisados pela reportagem apontam relações entre contratos, movimentações financeiras e interlocuções institucionais que passaram a ser avaliadas pelas autoridades.

Contratos com escritório ligado a familiar

Entre 2022 e 2025, o escritório Gabino Kruschewsky Advogados, sediado em Salvador, recebeu aproximadamente R$ 54 milhões do Banco Master, conforme informações presentes em documentos analisados pela Polícia Federal. O escritório tem como sócio-gerenciador Eugênio Kruschewsky, primo de André. Durante sua passagem pela diretoria jurídica do banco, André Kruschewsky participou da contratação do escritório.

A concentração de recursos em uma banca vinculada a um familiar de um diretor da instituição passou a integrar o conjunto de informações analisadas no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Os documentos públicos disponíveis até o momento não apontam irregularidade comprovada na contratação nem estabelecem responsabilização criminal de Kruschewsky relacionada aos pagamentos.

Operações financeiras sob análise

Documentos relacionados à liquidação do Banco Master indicam que a instituição realizou operações envolvendo bilhões de reais em créditos posteriormente classificadas pelo Banco Central como atípicas. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, parte dessas operações envolvia estruturas financeiras que passaram a ser questionadas quanto à sua finalidade econômica.

Kruschewsky deixou o cargo de diretor jurídico em agosto de 2024, antes do período em que ocorreram algumas das movimentações posteriormente analisadas. A documentação pública disponível não estabelece ligação direta entre ele e as operações específicas de cessão de créditos investigadas. A análise dos documentos envolve a participação do então diretor jurídico na construção de estruturas contratuais e jurídicas do banco durante período anterior às operações questionadas.

Movimentações envolvendo consultorias

O Coaf identificou movimentações envolvendo a Consult Inteligência Tributária, empresa que recebeu recursos do Banco Master em período analisado pelas autoridades. Segundo informações divulgadas pelo órgão, a consultoria declarou faturamento inferior ao volume movimentado com a instituição financeira, circunstância que levou o Coaf a apontar incompatibilidade financeira e levantar questionamentos sobre a natureza das operações.

A documentação também indica repasses realizados pela consultoria ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Os registros públicos disponíveis não estabelecem relação entre André Kruschewsky e esses pagamentos. A conexão identificada está relacionada à atuação da consultoria e às movimentações financeiras analisadas pelos órgãos de controle.

Interlocuções políticas e institucionais

Relatórios da Polícia Federal também registram que Kruschewsky participou de interlocuções relacionadas a propostas legislativas de interesse do Banco Master. Um dos episódios envolve o envio de uma minuta de emenda parlamentar relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos, apresentada pelo senador Ciro Nogueira. Segundo os documentos, Kruschewsky participou do encaminhamento do material ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Os registros indicam uma atuação institucional do então diretor jurídico em discussões relacionadas aos interesses da instituição financeira.

Menções a contatos no Supremo Tribunal Federal

Mensagens analisadas pela Polícia Federal também registram conversas nas quais Kruschewsky mencionou possibilidade de interlocução relacionada a processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Os documentos públicos não comprovam que houve interferência em julgamentos ou alteração de decisões da Corte.

O conteúdo das mensagens, porém, passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades para compreender a rede de relações mantida por integrantes ligados ao Banco Master.

Redação Lawletter
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Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

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