SEGURANÇA E URBANISMO
MPSP investiga falhas na fiscalização de prédio que desabou na Penha
Promotoria cobra explicações da Prefeitura de São Paulo após desabamento que causou seis mortes. Investigação foca em possíveis irregularidades e omissões.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) determinou a abertura de procedimentos para apurar a responsabilidade da Prefeitura de São Paulo no desabamento de um prédio de 12 andares na Penha, zona Leste da capital, ocorrido em 12 de setembro de 2026. A medida busca identificar possíveis omissões na fiscalização e no licenciamento da obra, fatos que ganham contornos de gravidade extrema pela perda de seis vidas, incluindo uma mulher grávida e uma criança, nesta quinta-feira, 24/09/2026.
A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital instaurou uma notícia de fato para esclarecer as condições do imóvel antes do colapso e verificar se ainda existe risco estrutural nas edificações vizinhas. A Prefeitura de São Paulo deve apresentar, em prazos rigorosos, todo o histórico de fiscalização, que compreende desde autos de infração e multas até embargos e interdições anteriores.
As solicitações do MPSP abrangem a SMUL (Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento), a Sehab (Secretaria Municipal de Habitação) e a SMADS (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social). O foco é não apenas punitivo, mas também humanitário, garantindo que o amparo assistencial às famílias atingidas seja integralmente executado pela gestão municipal.
Um ponto central das investigações da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital reside na conduta de servidores públicos. O MP busca acessar relatórios técnicos emitidos em fevereiro de 2024 e entender o porquê de uma estrutura ainda em andamento ter sido declarada como demolida em documentos oficiais. A CGM (Controladoria Geral do Município) foi questionada sobre sindicâncias internas já em curso para apurar estas possíveis irregularidades administrativas.
Em paralelo à esfera administrativa, a Polícia Civil conduz inquéritos no 10º Distrito Policial (Penha). Quatro pessoas são investigadas por homicídio com dolo eventual, incluindo o sócio oculto da construtora New Home — atualmente sob custódia — e a servidora responsável pelo relatório de 2024. A apuração também se estende a denúncias de estelionato, envolvendo a venda irregular de unidades habitacionais, o que ampliou o drama vivido pelas famílias que investiram suas economias no empreendimento.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
Comentários (0)
Deixe seu comentário