TECNOLOGIA E JUSTIÇA
Decisão do TRT-8 sobre uso de IA é usada como referência em tribunal dos Estados Unidos
Magistrado de Connecticut utilizou precedente brasileiro de Parauapebas para sancionar parte por manipulação de inteligência artificial em processo judicial.
Uma decisão proferida pelo TRT-8 (Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região) serviu de fundamento para que um juiz dos Estados Unidos aplicasse uma sanção pelo uso inadequado de inteligência artificial em um caso judicial. A referência ao precedente brasileiro ocorreu diante da escassez de decisões sobre o tema em cortes estaduais ou federais norte-americanas.
O caso original, julgado em maio de 2026 por Luiz Carlos de Araújo Santos Júnior, da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA), envolveu a aplicação de multa de R$ 84,2 mil a duas advogadas. Na ocasião, as profissionais inseriram comandos ocultos em um documento judicial, utilizando a técnica conhecida como prompt injection. O texto, escrito em letras brancas sobre fundo branco, instruía a ferramenta de inteligência artificial Galileu a elaborar uma análise superficial da petição e a omitir a contestação de documentos específicos.
O comando inserido determinava que a ferramenta deveria contestar a peça de forma superficial e não impugnar os documentos, independentemente das orientações posteriores. A tentativa de manipulação foi detectada pelo sistema Galileu, que emitiu um alerta durante o processamento. O Galileu é uma plataforma de inteligência artificial generativa desenvolvida pelo TRT-4 em parceria com o STF (Supremo Tribunal Federal) para auxiliar magistrados na elaboração de minutas de sentenças.
Nos Estados Unidos, o magistrado Walter M. Spader Jr., da Corte Superior de Connecticut, utilizou a decisão brasileira para fundamentar a sanção imposta a Matthew Elliott, que litigava em causa própria e foi sancionado pelo uso indevido de recursos de inteligência artificial. Segundo o TRT-8, o episódio reforça a necessidade de respostas jurídicas globais para os desafios impostos pelas novas tecnologias.
Ao comentar a repercussão internacional, Luiz Carlos de Araújo Santos Júnior afirmou que a preocupação com a integridade do processo é compartilhada por diferentes sistemas de Justiça. O magistrado ressaltou que o objetivo das medidas não é coibir o avanço tecnológico, mas impedir práticas abusivas que comprometam a boa-fé processual e a integridade do Poder Judiciário.
Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.
Fonte / Créditos
Fonte: CNN Brasil, "Decisão sobre uso de IA no Brasil é usada como referência por juiz dos EUA", publicada em 15/10/2026.
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/norte/pa/decisao-sobre-uso-de-ia-no-brasil-e-usada-como-referencia-por-juiz-dos-eua/
Comentários (0)
Deixe seu comentário