Direito Digital
Educação Jurídica

Barroso afirma que IA produzirá decisões com mais objetividade do que juízes e defende regulação urgente

Barroso afirma que IA produzirá decisões judiciais com mais objetividade que juízes, defende regulação urgente e revela que STF reduziu estoque de processos de 150 mil para 20 mil com uso da tecnologia.

Créditos da imagem: Divulgação/Esfera Brasil

O ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso defendeu neste sábado (23) que a inteligência artificial é o futuro da produção de decisões judiciais e que regular a tecnologia é imperativo, embora extremamente difícil. A declaração foi feita no 5º Fórum Esfera, no Guarujá (SP).

Barroso revelou que, ainda em sua gestão no STF, foi desenvolvido um programa capaz de produzir minutas de decisão, mas que não chegou a ser liberado por falta de um código de ética maduro o suficiente. Para ele, porém, a chegada da IA ao processo decisório do Judiciário é inevitável.

“A IA produzirá decisões com maior objetividade do que os juízes”, afirmou. Segundo ele, o uso da tecnologia precisará de supervisão humana, e cada juiz terá o ônus argumentativo de explicar por qual motivo não seguiu a inteligência artificial ao decidir. Barroso também ponderou que juízes humanos também têm preconceitos e fazem discriminações, o que relativiza o argumento do viés algorítmico.

Na prática, o STF já colhe resultados do uso de IA: com um programa de seleção de temas com precedentes, o tribunal reduziu o estoque de processos de 150 mil para 20 mil.

O principal obstáculo à regulação, segundo Barroso, é a velocidade do desenvolvimento tecnológico. Se a internet levou sete anos para se popularizar, o ChatGPT chegou a 100 milhões de usuários em dois meses. “Regulá-la é como lidar com um trem em movimento. Mil cientistas já pediram pausa no desenvolvimento, mas ninguém para.”

Outro obstáculo é a assimetria de conhecimento entre reguladores e regulados: os desenvolvedores sabem muito mais do que os legisladores sobre a tecnologia que se deseja regular.

Barroso também abordou os efeitos da digitalização sobre o espaço público. Para ele, o fim dos filtros da imprensa tradicional abriu “avenidas de desinformação” e promoveu a tribalização da vida: cada grupo passa a ter sua própria narrativa, sem fatos comuns que permitam o diálogo. O ministro não adotou tom pessimista, mas defendeu que enfrentar o problema exige educação e conscientização paralelas à regulamentação.


Fonte: Conjur

Compartilhe esta notícia

WhatsApp
Facebook
LinkedIn
X

Notícias Relacionadas

Receba as principais notícias jurídicas direto no seu e-mail

plugins premium WordPress

Não perca nenhuma notícia jurídica!

Receba as principais análises e atualizações do direito brasileiro direto no seu e-mail.