Audiências virtuais: o que mudou de vez na advocacia
Lawletter

Tecnologia jurídica

Audiências híbridas e virtuais: o que mudou de forma definitiva na operação jurídica

Para Lucyanna Lima Lopes, advogada e CEO da Preppo, plataforma especializada na capacitação e disponibilização de prepostos para empresas e escritórios de advocacia em todo o país, algumas mudanças deixaram de ser adaptações temporárias e passaram a integrar, de forma definitiva, a operação dos escritórios e departamentos jurídicos.

Imagem de Lucyanna, entrevistada da matéria
Créditos da imagem: Arcevo pessoal

Quando as audiências virtuais começaram a ganhar espaço durante a pandemia, muitos acreditavam que se tratava de uma solução transitória. Anos depois, o cenário é outro. O formato híbrido consolidou-se como parte da rotina do Judiciário e impôs uma transformação estrutural na advocacia.

Segundo Lucyanna, o primeiro impacto permanente foi a necessidade de uma infraestrutura tecnológica adequada.

"A estrutura online deixou de ser uma opção. Hoje, empresas, escritórios e prepostos precisam estar preparados tecnicamente para atuar nesse ambiente", afirma.

Mais do que investir em equipamentos e conexão de qualidade, a operação jurídica passou a depender de processos internos capazes de reduzir falhas técnicas e garantir previsibilidade durante as audiências.

Da logística aos processos: os desafios mudaram

Se antes a principal preocupação era o deslocamento de advogados, representantes e testemunhas, hoje os riscos são outros.

Lucyanna explica que, com a redução das audiências presenciais, a atenção passou a se concentrar em aspectos operacionais que podem comprometer diretamente a atuação processual.

Entre eles estão a conferência dos links enviados pelos tribunais, a confirmação da modalidade da audiência, a estabilidade da conexão com a internet e a existência de planos de contingência para eventuais falhas técnicas.

"Hoje, as audiências presenciais viraram exceção. O desafio deixou de ser chegar ao fórum e passou a ser garantir que toda a estrutura tecnológica funcione perfeitamente", observa.

Atenção tornou-se uma competência estratégica

A consolidação das audiências virtuais também alterou o perfil das competências exigidas dos profissionais envolvidos.

Para Lucyanna, organização, conferência documental e atenção aos detalhes passaram a ter um peso ainda maior na rotina jurídica.

Situações como mudanças de última hora no formato da audiência, perda de prazos ou equívocos na utilização dos links de acesso tornaram-se fatores capazes de gerar prejuízos relevantes para empresas e clientes.

Ela destaca que essas competências sempre foram importantes, mas ganharam uma nova dimensão com a digitalização dos procedimentos judiciais.

O modelo ainda precisa amadurecer

Apesar dos avanços em eficiência e produtividade, Lucyanna acredita que o ambiente virtual ainda enfrenta desafios relacionados à segurança e à credibilidade dos atos processuais.

Em sua avaliação, mecanismos como reconhecimento facial e sistemas mais robustos de autenticação podem contribuir para fortalecer a confiabilidade das audiências realizadas à distância.

"O ambiente virtual precisa oferecer ao Judiciário garantias de que quem participa do ato processual é realmente quem afirma ser", defende.

A profissionalização dos prepostos ganha protagonismo

Outra mudança definitiva está na forma como empresas e escritórios encaram a figura do preposto.

Lucyanna observa que, durante muitos anos, essa função era exercida por colaboradores que acumulavam outras atividades dentro das empresas, sem treinamento específico.

Para ela, o novo cenário exige profissionais preparados exclusivamente para representar organizações em audiências, capazes de compreender procedimentos, cumprir protocolos e reduzir riscos processuais.

Essa percepção foi justamente o ponto de partida para a criação da Preppo, plataforma especializada na formação e disponibilização de prepostos para empresas e escritórios em todo o país.

Além de aumentar a segurança jurídica, a profissionalização da atividade permite que gestores e colaboradores permaneçam focados em suas funções estratégicas, enquanto a representação processual fica sob responsabilidade de especialistas.

O futuro da operação jurídica já começou

Na visão de Lucyanna Lima Lopes, as audiências híbridas e virtuais não representam apenas uma mudança de formato, mas uma transformação estrutural da operação jurídica.

Escritórios e departamentos jurídicos que desejam acompanhar essa evolução precisarão investir não apenas em tecnologia, mas também em processos, treinamento e especialização das equipes.

O novo modelo exige planejamento, preparo técnico e uma cultura voltada para prevenção de riscos operacionais. Afinal, em um ambiente cada vez mais digital, a eficiência da atuação jurídica dependerá tanto da estratégia processual quanto da capacidade de executar cada etapa com precisão.

Redação LawLetter
Redação LawLetter

Equipe editorial responsável pela apuração, produção e publicação de notícias, análises e conteúdos sobre os principais acontecimentos do Direito no Brasil.

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000