INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Enter diz ter economizado R$ 15 milhões para a LATAM em 2025 com inteligência artificial
Case da companhia aérea aparece entre os materiais citados pela OAB-SP na ação contra a empresa; discussão envolve os limites da automação e a supervisão dos advogados.
A Enter afirma que sua plataforma de inteligência artificial ajudou a LATAM a economizar R$ 15 milhões em 2025. O resultado consta de um case divulgado pela empresa de tecnologia sobre o uso de suas ferramentas no contencioso da companhia aérea.
A experiência também aparece na ação civil pública ajuizada pela OAB-SP nesta quarta-feira, 7 de outubro. Na petição, a entidade utiliza materiais divulgados pela própria Enter para questionar se determinadas funcionalidades ultrapassam o apoio tecnológico e alcançam atividades privativas da advocacia. A empresa contesta essa interpretação.
Como a tecnologia participa dos processos
Segundo o case, a plataforma cruza documentos judiciais com informações sobre voos, reservas, assistência aos passageiros e condições meteorológicas. Esses dados ajudam a subsidiar a elaboração de minutas.
A Enter relata redução de 13% nos custos operacionais por processo e melhora de 30% nas métricas de eficiência. A publicação também menciona 18,6 mil processos apoiados pela tecnologia.
Os indicadores divulgados não permitem, porém, interpretar toda a economia anunciada como indenizações que deixaram de ser pagas a passageiros.
Em sua resposta à ação da OAB-SP, a Enter afirma que a tecnologia permite aos profissionais dedicar mais tempo à definição de teses e estratégias. Segundo a empresa, os advogados contratados pelos clientes continuam responsáveis pela revisão, assinatura e protocolo das peças, além da condução jurídica dos casos.
Por que o case entrou na ação da OAB-SP
O ponto de divergência é como demonstrar que essa supervisão ocorre efetivamente.
Para a OAB-SP, a assinatura de uma peça por advogado, isoladamente, não comprova que houve análise individual do caso e revisão substancial do conteúdo produzido com apoio da plataforma.
A entidade pede identificação do profissional responsável, registros das revisões e decisões estratégicas, indicação das fontes utilizadas e bloqueio da exportação de minutas sem revisão documentada. Também solicita que o advogado tenha garantia contratual de recusar os textos sugeridos.
O pedido principal admite a contratação das funcionalidades por qualquer cliente, desde que cumpridas as salvaguardas requeridas. Somente de forma subsidiária, caso esses controles sejam considerados insuficientes, a OAB-SP pede que as funções de estratégia e elaboração de minutas sejam restritas a advogados e sociedades de advocacia.
O que diz a Enter
A empresa afirma que várias das medidas solicitadas já fazem parte de sua operação e classifica as acusações como infundadas. Sustenta, ainda, que fornece tecnologia de apoio e preserva a responsabilidade dos profissionais que representam seus clientes.
A ação tramita na 4ª Vara Cível Federal de São Paulo contra a Talisman AI Ltda., razão social da Enter. Na cópia dos autos analisada pela Lawletter, não consta decisão sobre os pedidos.
As afirmações da OAB-SP são alegações apresentadas à Justiça. O ajuizamento da ação não significa que as irregularidades apontadas tenham sido reconhecidas judicialmente.
Leia também: OAB-SP ajuíza ação contra a Enter; empresa afirma que não substitui advogados
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