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O maior escritório a quebrar na história não perdeu nenhuma tese
Como o Dewey & LeBoeuf saiu de mil advogados, clientes como BP, Disney e JPMorgan, para a falência em cinco anos.

Em 2007, Dewey Ballantine e LeBoeuf, Lamb, Greene & MacRae se uniram na maior fusão entre escritórios já feita nos Estados Unidos. O resultado atendia BP, Disney e JPMorgan, e chegou a mais de mil advogados em 26 escritórios pelo mundo.
Em 28 de maio de 2012, a banca pediu Chapter 11 em Nova York, com US$ 245 milhões em dívida e mais de cinco mil credores. Foi a maior falência de escritório de advocacia já registrada.
E veja bem: em nenhum momento dessa história alguém aponta uma falha jurídica. Então o que exatamente quebrou?

The New Yorker · il. Barry Blitt. "Se for apenas o dinheiro que mantém uma empresa e seus sócios unidos, então não há cola nenhuma." Steven Davis
Garantia sem cenário

O crescimento vinha de contratar sócios de bancas concorrentes com remuneração garantida por vários anos. Um deles entrou com salário de US$ 1,6 milhão ao ano e bônus de contratação de US$ 16 milhões.
O problema de uma garantia é que ela não olha para o cenário. Quando a receita caiu na crise, a obrigação continuou de pé, e em 2011 o escritório pagou US$ 295 milhões aos sócios tendo apurado US$ 250 milhões.
Só que a gestão não reviu o modelo. Foi buscar dinheiro fora.
Dívida como anestésico
Em março de 2010 veio uma colocação privada de US$ 150 milhões em títulos, somada a uma linha de crédito bancária de US$ 100 milhões.
Dinheiro novo entrando resolve o mês, e é exatamente por isso que engana: o caixa reforçado silenciou o sintoma sem tocar na causa, que era um modelo de remuneração que o faturamento não sustentava.
O detalhe é que, para conseguir esse dinheiro, alguém precisava apresentar números. E os números apresentados não eram os reais.

O número plausível
A SEC descreve o que começou no fim de 2008: lançamentos manipulados no sistema contábil interno, receita criada do nada, cheques pós-datados, baixas alteradas. O lucro de 2008 apareceu inflado em cerca de US$ 36 milhões, quinze por cento acima do real.
Nada disso parecia absurdo na planilha, e é justamente aí que mora o risco. Um número errado que respeita o formato passa por qualquer leitura apressada (e passou por auditoria, por investidor e pelos próprios sócios).
Passou por todo mundo, menos pelos e-mails.
O ativo que anda
Os executivos falavam abertamente, por escrito, em "receita falsa", "truques contábeis" e em enganar o que chamavam de "auditor desatento". Uma planilha de corte de custos trazia uma linha de US$ 7,5 milhões com o título "Accounting Tricks".
Quando os sócios entenderam o tamanho do buraco, começou a corrida. Mais de 160 dos 300 sócios saíram em poucos meses e levaram os clientes com eles, porque num escritório o ativo principal não fica no balanço: ele desce de elevador todo dia e decide se volta.
Aí a falência já era só o registro cartorial de uma coisa que tinha acabado antes.

O mesmo erro, outro nome
Olhando de fora, é fácil achar que aquilo foi um problema de contabilidade. Não foi. O que quebrou o Dewey foi um número que parecia certo e que ninguém teve o trabalho de conferir, porque conferir dava trabalho e o número estava resolvendo o mês.
E é aqui que a história para de ser sobre 2012. Hoje o texto que chega pronto, bem escrito e no formato certo não vem de uma planilha: vem de um modelo de linguagem que foi treinado para produzir texto plausível, e não para verificar se aquilo é verdade.
A jurisprudência inventada tem exatamente a mesma cara da jurisprudência real.
A camada que você não tem

Repare no tamanho da estrutura que falhou. O Dewey tinha auditoria externa, departamento financeiro inteiro, investidores institucionais lendo os números e trezentos sócios com acesso à informação. Eram várias camadas de validação, e o erro passou por todas.
Agora pense na peça que sai do seu escritório amanhã. Em março de 2026, a 6ª Turma do TST aplicou multa por litigância de má-fé a uma empresa e ao advogado que assinou por conta de uma jurisprudência inexistente que estava nas contrarrazões. Antes disso, a 2ª Vara Federal de Londrina multou um advogado em vinte salários mínimos por artigos de lei e precedentes inventados, inclusive realizando ofício à OAB/PR.
Essa história se repete hoje, em escala menor e com frequência muito maior, sempre pelo mesmo motivo: um texto que parecia certo, uma ferramenta usada sem método e ninguém encarregado de conferir.
Então, como o advogado se protege?
Abandonar a ferramenta não é a resposta, até porque ela já faz parte da rotina. Segundo relatório do Jusbrasil, Trybe e ITS Rio, 77% dos profissionais do Direito usam IA ao menos uma vez por semana, principalmente para redigir peças. Só que quase metade aponta a falta de revisão humana como uma das maiores preocupações. Ou seja, o advogado já usa IA, o que falta é saber onde ela erra.
E o mercado de formação pouco ajuda. Quem ensina IA com profundidade costuma não conhecer o prazo, o risco e a responsabilidade de quem assina a peça, e quem conhece o advogado costuma parar no básico da ferramenta. Nos dois casos, ele aprende a pedir, mas não aprende a conferir.
O custo invisível
Existe ainda um segundo custo, menos visível que a multa. O escritório que não domina o próprio processo não perde só segurança. Perde tempo, porque cada peça volta a ser revisada do zero por insegurança. E perde escala, porque não consegue delegar à IA aquilo que não sabe auditar.
Um método bem implementado resolve as duas coisas: devolve ao advogado a confiança para produzir mais e o tempo para cuidar do que só ele pode fazer.
Se você quer entender como isso funcionaria na rotina do seu escritório, converse com a LAO Academy.
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Fontes:
Petição de falência, SDNY, 2012 · Fortune
ABA Journal · Fortune, 2012
SEC, Lit. Release 24258
SEC, comunicado 2014-45
SEC, 2014 · comunicado do próprio escritório
TST, 6ª Turma, 2026 · 2ª Vara Federal de Londrina, 2025
Relatório sobre o Impacto da IA no Direito 2026 (Jusbrasil, Trybe, ITS Rio e seccionais da OAB)
A LAO Academy é um ecossistema de educação em inteligência artificial aplicada ao Direito, voltado a advogados e escritórios que querem usar a ferramenta com método. O foco está em ensinar onde a IA erra e como conferir o que ela entrega antes que a peça seja protocolada.
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