Créditos da imagem: Reprodução/OAB-MT
Realizado em 18 e 19 de junho no Malai Manso Resort, com apoio da OAB-MT, o congresso reúne dois dias de painéis sobre reestruturação empresarial, recuperação judicial e seus impactos no agronegócio, com encerramento previsto do ministro Mauro Campbell Marques, do STJ.
A Lawletter está em Chapada dos Guimarães (MT) para acompanhar o VIII Congresso de Reestruturação e Recuperação Judicial de Empresas de Mato Grosso, que começou nesta quinta-feira (18) no Malai Manso Resort, com apoio da OAB-MT. A programação reúne dois dias de painéis técnicos sobre reestruturação empresarial, recuperação judicial e seus reflexos no agronegócio, setor estratégico para a economia do estado. O encerramento está previsto com palestra do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça.
A Lawletter acompanha as discussões para trazer os pontos centrais de cada painel e como os entendimentos debatidos podem impactar empresas e profissionais que atuam com recuperação judicial em Mato Grosso.
Um congresso pensado para equilibrar posições
Idealizadora do evento, a advogada e administradora judicial Aline Barini, presidente da Comissão de Recuperação e Falências da OAB-MT, explicou que a proposta da oitava edição é montar mesas e painéis equilibrados entre as diferentes posições do sistema: devedores, credores, Ministério Público e Judiciário. A coordenação acadêmica é da desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, do TJMT, e o encontro reúne juristas, acadêmicos, professores e advogados que atuam na área.
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A ideia é mesas e painéis equilibrados para que haja um debate entre posições de devedores, dos credores, Ministério Público e Judiciário, para que todos encontrem uma solução jurídica e econômica viável para a reestruturação das empresas.
Aline Barini
Advogada, administradora judicial e idealizadora do congresso
O objetivo, segundo Barini, é que desse debate surjam soluções viáveis para a reestruturação de empresas em um cenário marcado pela crise nacional, com efeitos da oscilação geopolítica e da economia brasileira..
A natureza coletiva da recuperação judicial
Em um dos painéis, o advogado Alex Tocantins, membro da Comissão Especial de Falências e Recuperação Judicial do Conselho Federal da OAB, destacou uma distinção central do procedimento: a recuperação judicial não segue a lógica clássica de polo ativo e polo passivo de uma ação comum. Ele a descreve como uma espécie de ação coletiva, com a empresa recuperanda tentando se reerguer de um lado e, do outro, os credores que forneceram crédito a ela.
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É como se fosse uma ação coletiva. É um devedor que está tentando soerguer a sua empresa, e de outro lado tem os credores, que são fornecedores de crédito para essa recuperanda.
Alex Tocantins
Advogado e membro da Comissão Especial de Falências e Recuperação Judicial do Conselho Federal da OAB
Nesse arranjo, segundo Alex Tocantins, o administrador judicial funciona como o elo de conexão entre a recuperanda e seus credores. Para ele, eventos como o congresso cumprem papel relevante ao fortalecer o debate jurídico e contribuir para o aprimoramento do procedimento.
O agronegócio e a recuperação judicial sistêmica
O aumento das recuperações judiciais no agronegócio foi analisado pelo presidente da ESA-MT, Bruno Casagrande, que vê na questão uma dimensão que vai além da economia. Para ele, parte do crescimento é consequência ordinária do cenário econômico, mas há um componente que considera extraordinário: a realidade peculiar do agronegócio gera recuperações com características próprias, como prazos mais longos.
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Não é mais um produtor rural endividado individualmente, mas todo um sistema. Se nós tivermos uma quebra maciça, temos uma quebra sistêmica até mesmo do PIB. É uma natureza simbiótica.
Bruno Casagrande
Presidente da ESA-MT
Na leitura de Casagrande, esses dados não indicam apenas dificuldade, mas o amadurecimento de um sistema voltado a sustentar uma atividade que move o PIB brasileiro. O problema, afirma, deixou de ser o de um produtor endividado isoladamente e passou a ser sistêmico: o produtor precisa de auxílio para se manter, e essa manutenção integra a própria recuperação econômica do país.
A Lawletter segue acompanhando o congresso. Para acompanhar os bastidores e as próximas coberturas, siga @lawlettereventos e @law.letter.