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CNJ aprova protocolo para barrar manipulação de decisões judiciais por comandos ocultos de IA

CNJ aprova protocolo contra prompt injection, prática em que advogados inserem comandos ocultos em petições para manipular sistemas de IA dos tribunais, já identificada no STJ, TJ-SP e TRT-8.

Créditos da imagem: Rômulo Serpa/Agência CNJ

O Comitê Nacional de Inteligência Artificial no Judiciário, do Conselho Nacional de Justiça, aprovou nesta quarta-feira (27) protocolo para blindar os tribunais contra petições que contenham comandos ocultos de IA, prática conhecida como prompt injection. A manifestação técnica ainda será votada pelo plenário do CNJ em data a ser definida pelo presidente, ministro Edson Fachin.

A prática consiste em inserir instruções escondidas em petições para induzir os sistemas de IA dos tribunais a favorecer determinada tese, ignorar argumentos relevantes ou distorcer resumos de processos. Os comandos podem estar em metadados de imagens anexadas ou escritos na cor branca, imperceptíveis a olho nu, mas legíveis pela IA se não houver supervisão adequada.

Casos já foram identificados no STJ, no TJ-SP e no TRT-8. Na 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA), um prompt oculto orientava a IA a contestar a petição contrária de forma superficial e a não impugnar documentos. O sistema Galileu, do TRT-8, detectou o conteúdo, emitiu alerta e bloqueou o processamento. O juiz multou as advogadas envolvidas em R$ 84 mil por atentado à dignidade da Justiça. Elas também foram suspensas pela OAB do Pará por 30 dias.

Em processos distribuídos nas regiões de São Paulo e Campinas, comandos ocultos instruíam a IA a deferir automaticamente pedidos de justiça gratuita e tutelas de urgência. Os advogados envolvidos estão sendo investigados nas esferas criminal e administrativa.

O protocolo orienta os tribunais a estabelecer filtro humano para checagem de documentos antes que sejam processados pela IA. Também prevê a criação de uma espécie de “caixa preta” para preservação dos dados fraudulentos, a fim de instruir investigações. Outra diretriz é impedir que a IA produza textos com aparência de decisão judicial, vedando expressões como “julgo procedente”, “defiro o pedido” ou “condeno”. O documento ainda recomenda protocolos de auditoria, testes de segurança e cursos de capacitação para magistrados e servidores.

O conselheiro Rodrigo Badaró, presidente do comitê, destacou que a IA é um “caminho sem volta” diante de um sistema com 75 milhões de processos, mas defendeu regulamentação ética e supervisão humana nas decisões.


Fonte: Jornal de Brasília/Folhapress

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